Vitor Rodrigues: “Nunca pensei em louvores”

Em maio de 2019, o ciclone Idai deixou um grande rasto de destruição em Moçambique. Almeirim esteve representado na recuperação por Victor Rodrigues (segundo a contar da direita), Adjunto do Comando dos Bombeiros do Cartaxo. Agora foi reconhecida a ajuda…

Vitor, que significado teve este louvor do Ministério da Administração Interna pelo modo como, de 22 de março a 2 de abril de 2019, cumpriram a missão de apoio à população de Moçambique, afetada pelo ciclone tropical Ida?
Este louvor, para mim, teve um significado de reconhecimento pela missão
que cumprimos durante os dias que tive com toda a equipa em Moçambique.

Já esperavam este reconhecimento?
Eu, quando me ofereci para ir na missão, nunca pensei em louvores ou reconhecimentos fosse de quem fosse, para nós que ajudamos as outras pessoas, a única coisa que queremos é um simples e sincero “Obrigado”.

O que representa?
Reconhecimento pala trabalho prestado.

Pode recuar até 22 março e tentar descrever o que viu e sentiu?
O que vi? Vi pessoas que perderam tudo, pessoas essas que não baixaram
os braços e no minuto a seguir recomeçaram a vida de novo. Quanto
ao que senti….. senti que podia ajudar aquelas pessoas, mas é claro que estamos sujeitos a protocolos e ordens para cumprir, por mais vontade que
tenhamos, temos de cumprir.

O que mais o marcou?
O que mais me marcou foi na cidade da Beira ver uma tenda com dezenas de crianças e perguntar a alguém que me disse “estes ficaram sem família,
estão sozinhos no mundo”.

Mantém contacto com alguém que ajudou nessa altura?
Sim, com o Srº António que era a nossa ligação na cidade da Beira, tanto a ele com à esposa temos muito a agradecer, são as únicas pessoas que mantemos o contato. Ainda o ano passado eles vieram a Portugal
e juntámo-nos num almoço em Almeirim.

Vocês também se ligam às pessoas ou tentar evitar isso para que não seja tão violento?
Nós quando fomos, o nosso Comandante de Grupo já tinha estado em
Moçambique na outra missão, e foi-nos dando alguns conselhos muito
úteis como nós devíamos encarar estas situações, mas por mais conselhos,
por mais fortes que tenhamos sido…. marca-nos sempre.

Já tinha tido outras experiências do género?
Não.

Gostava de repetir?
Sim muito, se tivesse essa oportunidade de ajudar, claro que gostava.

Vítor Rodrigues é Adjunto de Comando do Corpo de Bombeiros Municipais do Cartaxo. Quais as expectativas e desejos para a sua carreira?
Devido a saída do Comandante para estrutura da ANEPC, os Bombeiros Municipais do Cartaxo, atualmente, não têm ninguém a exercer esse cargo.
Neste contexto, é legítimo ter expetativa para exercer o cargo, pelo conhecimento do Corpo de Bombeiros e seu funcionamento.

Imagina-se com um cargo mais político ou de nomeação no futuro? E no
seu concelho?

Não, não me vejo nessa situação. Quanto ao meu concelho, não escondo a vontade de um dia vir a fazer parte dos Bombeiros Voluntários de Almeirim, mas, não é o meu objetivo para estes anos mais vindouros.

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