Paula Borrego admite: “Finalmente conseguimos realizar este sonho”

Com a abertura da nova loja na Zona Industrial de Almeirim, a empresa com mais de 50 anos dá um passo na modernização.

Porque surgiu a necessidade desta mudança para a zona industrial?
Nós, já há muitos anos, que pensávamos mudar de instalações, porque onde estávamos já não tinha condições para receber os clientes. Ainda por cima, com as alterações da venda de agroquímicos, não podíamos lá ter agroquímicos e era complicado o agricultor ter que ir a uma instalação
e depois voltar ali para levar todo o resto do material.
Assim aqui, criámos condições mais modernas e com melhor acessibilidade para os nossos agricultores poderem levar logo tudo de uma única vez.

Aqui que serviços vão ficar?
Aqui vamos ficar com o que tínhamos na Rua da Alagoa e com o que temos na Rua de Santarém.

Depois de 50 anos no mercado, este é considerado um dos momentos mais importantes?
É um momento pelo qual o meu pai e a minha mãe, já há muitos anos, queriam fazer a mudança. E, finalmente, conseguimos realizar esse sonho que eles tinham.

O que o seu pai acha desta obra?
Está muito feliz (risos). Veio cá ver e disse que estava muito contente e felicíssimo com isto tudo.

Hoje abriu a loja, mas a inauguração é só no final do mês. Porquê tomar essa decisão?
A inauguração era para ter sido feita ontem, mas no dia 9 de agosto, a família teve um evento também muito importante que foi o casamento da minha filha. E então, como não dava para fazer as duas coisas no mesmo
dia, tivemos que adiar a inauguração para daqui mais uns dias.

Em breve, deixarão de ter o mesmo espaço junto à Quinta de São Miguel?
Sim. Esse espaço será para desmantelar, porque não existe necessidade
de o manter lá.

Mas o que está em frente à GALP irá continuar é isso?
Em frente à GALP vamos manter porque tem uns acessos bons para os
agricultores quando vão ou vêm do espaço agrícola e dos campos.

E quais é que são os grandes desafios para o futuro próximo?
Os grandes desafios são sobreviver à crise que, possivelmente, aí virá. E
isto porque o Covid-19 vai-nos causar muitas confusões ainda em termos económicos.

E quais vão ser os novos desafios que a pandemia do Covid-19 vai criar?
A sobrevivência de nós todos em termos económicos, essencialmente, porque é capaz de ir causar algumas complicações muito grandes a nível económico.

O que é que representa para si estas novas instalações? Era um objetivo seu e ao fim de o concretizar, o que é que sente?
Eu já trabalho com o meu pai há quase 30 anos e sempre foi o grande sonho
dele, sempre o ouvi falar na hipótese de virmos para a Zona Industrial e criar umas instalações confortáveis e práticas para os agricultores. Tanto que, quando surgiu esta hipótese, eu fiquei contente de conseguir realizar um sonho não só dele mas meu também, porque sempre andámos a lutar.
Infelizmente, coincidiu com um ano difícil como este, mas se Deus quiser,
iremos conseguir levar a bom termo todo este investimento.

De que maneira é que o Covid-19 já afetou e que pode vir a afetar a empresa e os próprios agricultores?
A empresa, em si, não teve grandes impactos a nível do Covid. Nós ajustámos o grau de funcionamento, mais teletrabalho, mais divisão, que
aqui nos facilita porque nós aqui já temos gabinetes praticamente individualizados, o que vai ser bom. Limitou-nos o acesso dos nossos clientes à loja, mas nós conseguimos criar condições para que isso pudesse
funcionar.
Em termos de vendas, nós não sentimos impacto para já, porque este
ano a agricultura acabou por funcionar praticamente da mesma maneira.
Tudo vai depender agora do resto do ano agrícola. Se os produtos desvalorizarem, poderemos ter um problema dos recebimentos de quem paga a campanha.
O problema grande é se as pessoas deixarem de ter dinheiro, inclusivamente, para manter o nível de vida que têm e continuarem a poder satisfazer aquelas necessidades que têm.
E esse é o nosso receio, mas para já, ainda não se está a notar.

Entrevista publicada na edição impressa de 15 agosto

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