“Em Almeirim foi bem aceite”

Rui Leitão é responsável em Santarém, da Federação de Teqball, e em entrevista a O ALMEIRINENSE, explicou como está a correr a aposta na nova modalidade. O UVA foi o primeiro clube do concelho a entrar no projeto e já se seguiu o U. Almeirim.

O que é o Teqball? Pode-se dizer que inspira-se no futebol e junta-se um
pouco a mesa de ténis?

O Teqball é uma modalidade que se joga numa mesa similar à mesa de ping-pong, com o tampo curvo de forma a que a bola assente, tendo o tampo curvo para que a bola possa ressaltar mais facilmente para os jogadores, portanto, se o tampo fosse plano não faria esse ressalto.
Joga-se com uma bola similar à bola de futebol, uma bola de tamanho futebol 11, pode ser jogado por singulares ou por duplas, pode ser jogado a pares. É uma modalidade que nasceu em 2014, na Hungria, foi desenvolvida por um antigo jogador húngaro, e neste momento, tem tido uma grande expansão a nível mundial. Diz-se que até é o desporto que tem tido o maior crescimento a nível internacional e em Portugal, nós na Federação, temos desenvolvido um trabalho de modo a poder chegar a todo o país. Neste
momento, já estamos presentes em 15 dos 18 distritos, inclusive, na região autónoma da Madeira também. Fechámos o primeiro semestre com 52 clubes já filiados na Federação, sendo que aqui o distrito de Santarém é o distrito mais representativo a nível nacional, já com dez
clubes filiados, na Federação Teqball de Portugal.

Há um grande número de atletas, neste momento, que se pode dizer, a praticar a modalidade?
Sim, neste momento, não temos quantificado o número de atletas, o número de atletas tem vindo a crescer, ainda não conseguimos quantificar o número de atletas porque tem aumentado de dia para dia, como eu disse, nós temos 52 clubes já filiados, todos os dias estão a
aparecer novos clubes.
Vamos também, para o mês que vem, anunciar parcerias, porque estamos a fazer protocolos com clubes da primeira e da segunda liga no sentido desses clubes criarem equipas.
Estamos a colocar equipamentos nesses clubes, no sentido desses clubes criarem académicas de Teqball, portanto, vamos anunciar posteriormente e como estava a falar, a pandemia causou-nos, em termos da nossa calendarização, algum entrave, porque nós previmos, no inicio três grandes etapas.
A primeira etapa era colocar os equipamentos nos clubes, a segunda etapa era dar formação a esses clubes, formarem árbitros, dirigentes técnicos e formar treinadores e depois no mês de junho arrancar com as competições. Tivemos que adiar essa situação. De referir que, para todos os clubes que nos adquiriram equipamentos, a Federação criou um pack de filiação e que oferece gratuitamente a formação de um treinador e de um árbitro por cada equipamento adquirido, para que os clubes tenham ferramentas para poder desenvolver a modalidade, porque não nos serve de nada se o clube adquirir o equipamento, mas depois não souber tirar partido desse equipamento, daí, a Federação oferecer a formação de um treinador e de um árbitro, para que depois os clubes possam dar início à atividade corretamente, ou seja, aplicando as regras e poder trabalhar juntos dos jovens corretamente a modalidade.

No concelho de Almeirim já tivemos uma demonstração, como é que foi aceite?
Foi muito bem aceite. Nós, no concelho de Almeirim, temos o UVA, União Veteranos de Almeirim, que é o primeiro clube veterano filiado na Federação. O entusiasmo foi muito grande, o jeito para a modalidade também foi visível, há alguma qualidade e até nós lançámos o repto à Federação para que eles tivessem uma ou duas duplas a competir no campeonato nacional, que penso que vá ser aceite.

Podemos ter um campeonato regional já no próximo ano?
Sim, já este ano, nós vamos ter o campeonato nacional este ano. Nós queríamos começar, portanto, a calendarização tivemos que alterar. Nós eramos para começar em junho, vamos começar em setembro. Vamos ter a primeira etapa do campeonato nacional, este ano um bocado reduzido, pois se vamos ter dez etapas, entre setembro e novembro. Obviamente que queremos ter equipas aqui do distrito a competir, já temos dez clubes.

Esta modalidade requer um grande investimento?
Não, logo aí está, não requer. Não são necessárias infraestruturas, basta uma mesa e uma bola. Temos mesas que variam entre os 890€ e os 2000€, portanto, o investimento não é por aí além. Em termos de espaço, basta um espaço com 18 metros por 10 para competição, para treino, portanto, o espaço pode ser mais reduzido e o piso pode ser qualquer piso, desde que seja um piso liso, pode ser jogado em relva, pode ser jogado em relva
sintética, relva natural, em cimento, em tacos, em areia, portanto, não há nenhuma especificidade para o tipo de piso. Não é necessário nenhuma infraestrutura, pode ser jogado ao ar livre, pode ser jogado dentro do pavilhão.

E os árbitros? Já houve uma formação em Almeirim, correto?
Sim, este ano fizemos, no dia 4 de julho, uma formação a nível nacional, aqui em Almeirim de árbitros e treinadores em que trouxemos clubes de várias zonas do país. Tivemos aqui clubes de Lisboa, de Leiria, da Nazaré, de Évora. Saíram daqui os primeiros treinadores formados e árbitros de Teqball.
As regras do Teqball, à primeira vista, parecem simples. É só trocar a bola mas há ali uma serie de vicissitudes e uma serie de pequenas nuances.

A formação de algumas equipas ainda está em estudo ou já há alguma certeza?
Já há uma certeza. Já há um caderno com regulamentos e regras.
O Teqball, sendo um desporto inventado de raiz, foi feito de maneira a que,
por exemplo, não seja baseado na sorte. Nós temos por exemplo, no ping-pong, quando a bola bate na quina da mesa é ponto. Aqui, quando a bola bate na quina da mesa, o ponto é repetido, não é ponto de ninguém, ou seja, para que não seja baseado na sorte, tem de ser baseado na técnica e na destreza dos atletas.

Jogadores topo, associarem-se a esta modalidade é uma certeza que parece que vamos vendo cada vez mais entusiasmo e isso traz também, de alguma forma, alguma expansão mais rápida à modalidade?
Sim, pode-se dizer que o Teqball cresceu muito também, pelo investimento que a federação internacional fez, ao ir buscar esses embaixadores, os jogadores topo, para dar alguma notoriedade também ao Teqball. Temos como embaixadores os mais conhecidos, o Ronaldinho Gaúcho, o Puyol, o Iame Galaze, o Karanba e depois os nossos, o Simão Sabrosa, o Nuno Gomes e o Figo. Vamos fazer tudo aquilo que seja possível
para divulgar e para expandir a modalidade.

Entrevista publicada na edição impressa de 15 de agosto. Pode assistir à entrevista completa em: https://www.youtube.com/watch?v=35_ba4paZgU&t=58s

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