Editorial – 1 de junho

Já está à disposição de todos o crematório de Almeirim. Os pormenores da obra são conhecidos da maioria das pessoas e, infelizmente, voltamos a centrar a discussão no acessório, acho eu. A localização, o cheiro, o fumo e outras tantas coisas que foram ditas, essencialmente nas redes sociais.

Mas no outro dia, em conversa com uma pessoa de enorme responsabilidade na nossa sociedade, debati um outro “pormaior” que nunca vi falado e que será, pelo menos para mim, o mais importante em tudo isto. Qual a relação que vamos ter com as cinzas?

Merece uma reflexão profunda porque há dados que mostram que ainda não estamos preparados para não ter o corpo e até não ter as cinzas. Dizia a mesma pessoa que há problemas graves quando se guardam as cinzas em casa e também junto daqueles que querem deixá-las noutros lugares e mais tarde a querem ter novamente perto. Esta reflexão de perceber como reage a nossa cabeça à perda e à falta de algo físico que nos ajude a minimizar a dor é importante ser feita e é possível que precisemos de ajuda. Pensar nestas coisas não tem mal e até fará parte mesmo da nossa evolução.

Valter Madureira

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