440 anos

Em janeiro de 1580, Almeirim foi palco da tentativa da resolução de uma grave crise política: o Cardeal-Rei D. Henrique encontrava-se às portas da morte sem um filho que lhe sucedesse, e convoca Cortes para Almeirim, para tentar escolher o seu sucessor entre os sobrinhos netos. Aqui brilhou Febo Moniz, que defendeu a causa portuguesa (e Almeirim homenageou-o, tornando-o patrono de uma das suas escolas). Contudo, as cortes são inconclusivas, e o monarca acaba por morrer em Almeirim a 31 de janeiro de 1580. Politicamente aconteceu aquilo que sabemos. Factos históricos à parte, este foi sem dúvida um dos acontecimentos de relevo nacional que teve como palco Almeirim e deixou a sua marca na nossa construção identitária enquanto comunidade.

Tanto mais que a designação “Cortes”; aparece associada a designações empresariais e até à recentemente inaugurada USF. Assim, se é indiscutível a importância deste facto histórico, não deixa de ser estranha a ausência de qualquer celebração do mesmo nesta data redonda, por parte do município, como por exemplo uma tertúlia, uma sessão evocativa ou o lançamento de uma monografia temática. Quando tanto se fala de um “Centro de Interpretação Histórica” que ninguém sabe muito bem o que vai ser, porque não apostar num “Centro de Interpretação das Cortes de Almeirim”.

Por SAMUEL TOMÉ

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