Editorial – 1 de dezembro

“Estou a escrever este espaço numa das muitas viagens que faço entre Santarém e Lisboa. Já são tantas as vezes que faço este caminho que já nem consigo contar quantas são, mas sou bastante distraído e por mais anos que passe neste “passeio” não vou fixar todas as paragens ou apeadeiros. Pois, porque os tempos são de correrias, em que tudo é tão depressa que não se valoriza nada.

Não se valoriza a paisagem, não se valoriza o tempo que estamos numa viagem.

…Tal como queremos tudo a correr e a culpa não é da tecnologia. A culpa é de quem usa a tecnologia e se deixou enredar por esta teia que agora já não nos permite sair. O que nos resta é continuar a viajar neste comboio que já é mais rápido que os regionais de há 20 ou 30 anos e se nessa altura tínhamos mesmo que conversar com o parceiro da frente ou do lado; agora mal conseguimos conversar porque muita gente não larga os telemóveis, ri para os ecrãs, ou com os auscultadores nos ouvidos parece viver num mundo que não é este. Ou melhor, se calhar é este, nós é que, ou não sabemos, ou não queremos saber.”

Valter Madureira

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