Da esquerda para a direita: Educar

Educar não é tarefa fácil, nem nunca o foi, dificuldade essa que se tem acentuado com o ideal de perfeição característico da nossa sociedade atual. Todos queremos ser profissionais perfeitos, pais perfeitos, queremos ter filhos perfeitos, ter casas perfeitamente arrumadas, viajar, estarmos informados, termos tempo para nós, para a família, etc, mas o tempo…o tempo é o nosso principal inimigo e parece estar em vias de extinção.

Numa sociedade cada vez mais exigente, acelerada e competitiva, é normal que nos sintamos pressionados e até obcecados na busca da tal perfeição, o que por se tratar de uma missão impossível (diria eu), conduz muitas famílias ao descontrole e desespero. Outras, de modo a evitarem conflitos e para que o barco continue, ainda que um pouco à deriva, vão substituindo a educação e a autoridade por facilitismo e até amizade. Mas nós pais não nos podemos esquecer que antes de sermos amigos somos efetivamente pais. O tão badalado programa televisivo Supernanny põe a nu a falta de capacidade de educar e/ou a exaustão em que vivem muitas famílias.

Uma verdadeira crise parental, muito comum nos dias de hoje. É normal por vezes precisarmos de uma orientação, uma ajuda nesta caminhada tão gratificante mas por vezes tão árdua. Mas até nesse pedido de ajuda temos de ser cautelosos. Uma Supernanny em privado ótimo, agora nunca transformar uma questão familiar de extrema importância num show televisivo, o que constituiu uma grave violação da reserva da vida privada, colocando em causa o superior interesse da criança, o qual deve imperiosamente ser garantido. A meu ver, a única utilidade que o programa trouxe foi ter contribuído para a reflexão de toda esta problemática. Pais, não busquem a perfeição mas sim a felicidade! Fica a dica.

Ana Casebre – PS Almeirim

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