Tribunal do Cartaxo absolve condutor de pesado do acidente que vitimou Gonçalo Neves “Tofu”

O arguido Pedro Miguel Vieira Amorim, motorista do pesado de mercadorias que colidiu com o carro onde seguia o Gonçalo Neves “Tofu”, foi absolvido pelo juíz do Tribunal do Cartaxo do crime de condução perigosa, agravada pelo resultado ofensa à integridade física grave.

Após mais de seis anos de julgamento, o Tribunal decidiu-se pela absolvição por não ser possível provar como ocorreu o acidente no dia 1 de setembro de 2011. O juíz, durante a leitura da sentença, explicou que aconteceram inúmeras falhas na recolha de prova no desenrolar da ocorrência por parte das autoridades, nomeadamente, a velocidade a que circulava o pesado, as marcas de travagens dos pneus e os testemunhos contraditórios de quem assistiu ao sinistro.

Apesar dos inúmeros relatórios e análises forenses pedidos, a dúvida de como ocorreu o acidente mantém-se beneficiando assim o arguido que acabou por ser ilibado na parte criminal.

Na parte cível, o Tribunal do Cartaxo declarou que há culpa legal e sentenciou a companhia de seguros da empresa, onde o arguido à altura trabalhava, ao pagamento do pedido de indemnizações por parte da família de Gonçalo Neves. Há vários pedidos de indemnização por parte da família que se referem aos tratamentos médicos, reabilitação, ao estado de saúde de “Tofu”, adaptação da casa da família e ainda aos familiares de Gonçalo. Apesar de ser provada a culpa na parte cível os valores pedidos não correspondem aos que foram pedidos pelos pais de Gonçalo.

Em declarações a O Almeirinense, a família de Gonçalo Neves garantiu ainda não saber se vai recorrer da decisão. Em relação à absolvição do arguido, a família explica que custou muito ouvir a decisão do tribunal, “a pessoa continua a vida dele e o meu filho ficou incapacitado para sempre”, concluí a mãe Sandra Martins.

Para a família, as autoridades não fizeram corretamente o seu trabalho explicando que é essa a grande mágoa que fica deste processo. Sandra Martins afirma que a dúvida deste acidente “essencialmente existe porque a GNR não atuou como devia ter atuado”, acrescentando ainda que os militares que estiveram no local “nada fizeram para se conseguir chegar a tribunal com provas e com relatórios científicos, porque não havia dados suficientes para haver relatórios científicos.”

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