Da esquerda da direita: Votar e não votar

Até ao próximo dia 29 de setembro os partidos políticos, coligações e movimentos de cidadãos de todo o País, irão apelar ao voto e explicar porque entendem ser merecedores da confiança dos seus eleitores.

É, portanto, tempo de todos os portugueses com capacidade eleitoral fazerem a análise das diversas candidaturas concorrentes nos seus concelhos e freguesias e decidirem conscientemente quem merece o seu voto, quem pretendem que os governe nos próximos quatro anos. E este é um direito de todos, não só de alguns.
Infelizmente é comum muitos cidadãos, isolados ou em grupo, criticarem a classe política, atribuindo-lhe todos os males do mundo, imputando-lhes a responsabilidade de tudo que consideram errado, e, no entanto, optarem por não votarem.
Só cidadãos intervenientes e responsáveis, que não abdicam das suas opções, têm direito a levantar a voz e criticar as ações dos que decidem intervir na sociedade e na politica.

Quem não concorda deve ter o direito de discordar, quem se acha prejudicado deve ter o direito de protestar, quem pensa ter melhores ideias para a sociedade deve ter direito de as expor e ser ouvido. Mas quem sistematicamente discorda, protesta e levanta a voz, e no dia de exercer o seu dever de cidadania resolve não votar – ou porque se julga fora do sistema ou por puro comodismo, “tenho sempre, nesse dia, coisas mais importantes a fazer” – perde, moralmente, o direito a qualquer forma de contestação. Mas só moralmente é punido, porque em Portugal o exercício do voto não é obrigatório.

Na maioria dos casos são cidadãos que só olham para o seu umbigo, porque se afastam e não participam em qualquer solução, mas estão quase sempre entre os primeiros a clamar contra tudo e todos e a sentirem-se injustiçados.

Formei cedo o meu pensamento político, em tempos em que o direito de voto livre e democrático não era possível, e luto pelos meus ideais até ao dia que alguém me demonstre haver melhores soluções. Votei sempre e continuarei a fazê-lo. Devo isso ao meu País e àqueles meus antepassados que tanto gostariam do o ter feito em liberdade – uma simples cruz representa tanto!… – e morreram sem o conseguir.

Perante isto, confesso não sentir muito respeito por aqueles que, sem razões válidas, por opção pessoal, decidem não votar. Mas tenho um respeito imenso por todos aqueles que (mesmo sabendo eu que nunca votaram no meu partido) dizem com orgulho, “eu voto sempre e continuarei a fazê-lo enquanto puder”.
Portanto, no próximo dia 1 de outubro, seja responsável, VOTE.

 

Gustavo Gaudêncio Costa, Presidente do PS de Almeirim

.