Liderança e afetos

Recentemente, a comunicação social fez uma análise detalhada sobre o exercício dos primeiros seis meses de mandato do Senhor Presidente da República, Professor Marcelo Rebelo de Sousa. Da esquerda à direita, os comentários produzidos acerca do seu desempenho davam conta de uma mudança de paradigma quase absoluta sobre a forma de exercer e interpretar as funções constitucionais do Presidente, tendo como referência o desempenho dos seus antecessores. Estes seis meses de avaliação revelaram que a discussão sobre a necessidade de alterar os poderes constitucionais do Presidente da República é pura demagogia política e a prova está na evidência de que, com a mesma Constituição, temos um exercício da presidência totalmente diferente. Assim, é possível perceber que a grande questão não são os quadros constitucionais, mas os titulares que interpretam os quadros constitucionais onde estão inseridos.
Dos milhares de imagens que serviram de suporte aos comentários televisivos durante as análises realizadas, o que se via não eram imagens de um Presidente que também era um homem, mas sim, imagens de um homem que também era Presidente. No meu ponto vista, o que está na origem desta forma de exercer a magistratura presidencial e que tem como grande evidência a expressão de uma cultura de sentimentos, de empatia, de afetos e de proximidade, resulta de uma questão conceptual que deveria ser vista com muita atenção por parte daqueles que exercem funções de liderança, sejam elas de natureza política, académica, empresarial ou religiosa. Para o Senhor Presidente da Republica está muito claro que o título é transitório e está condicionado ao espaço e ao tempo. Desta forma, a pessoa que exerce o cargo é mais importante do que o próprio cargo. Lamentavelmente, a grande maioria das pessoas que exercem funções de liderança, caem sistematicamente no erro de colocarem o título que têm, à frente da pessoa que são. Por essa razão, continuamos a ver líderes distantes e escondidos nos seus bunkers e sem influenciar com valores humanos as pessoas que lideram. Como é óbvio, um líder que impede que vejam e sintam a sua condição humana, está condenado ao esquecimento.

Jorge Humberto
Pastor

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