Preservar o Património Histórico e Cultural

Ao palmilhar diariamente as nossas ruas e lugares das nossas aldeias, vilas e cidade penso que se exige um esforço geral pela preservação do nosso Património Cultural, valorizando o nosso passado e memória coletiva da nossa cidade, vilas, aldeias e lugares; não só através da cultura tradicional, mas também pela nossa arquitetura, as fachadas e construções tradicionais, que aos poucos se esfumam na modernidade das novas construções. O Património Arquitetónico representa um património único de um povo e de um lugar, carregando através dos tempos diferentes valores e modos de vida, capaz de expressar as experiências sociais de décadas de uma sociedade. Com o rápido crescimento urbano das cidades, enquanto outros lugares se despovoam e desertificam, com as influências trazidas pela globalização e modo de vida mais descentralizado, existe uma progressiva perda e descaracterização do Património Histórico, o que obriga a constante necessidade de transformação dos espaços urbanos rurais, com as implicações referentes à qualidade de vida e ambiental, ficando a preservação do património construído ameaçada pelas novas regras de construção a que a lei obriga. A nossa cidade e restantes vilas e lugares do concelho não se devem resumir apenas a dormitório para os seus habitantes. Nela vivem descendência de famílias que possuem memória própria e são parte integrante da nossa história. Por esse motivo, não nos pode passar despercebido a destruição da casa dos seus antepassados, de antigos edifícios públicos, cinemas, bares, teatros e outros edifícios históricos. Toda essa “destruição do património” que valoriza o lugar do automóvel, as grandes superfícies comerciais e habitacionais, deixando as nossas cidades e lugares de proximidade mais distantes sem emoção, levando as populações locais a perderem um pouco da sua identidade e identificação com o local onde vivem. Como se pode, entre a euforia do modernismo, manter traços que nos identifiquem com o nosso passado e as suas memórias. Existe uma saudade da época em que as nossas cidades eram mais humanas, em que o homem tinha mais tempo para refletir sobre o seu destino. A raiz sociocultural coletiva das nossas cidades vilas e lugares encontra–se nos velhos edifícios e suas fachadas. Eles são o testemunho silencioso e valioso de um passado distante. Servem para transmitir às futuras gerações acontecimentos históricos que neles tiveram lugar e também como referência urbana e arquitetónica para o nosso momento atual. Preservá-los, não só para possibilitar um turismo de âmbito arquitetónico, mas para que as gerações futuras possam sentir “in loco” a visão de uma cidade humana e como se vive nela. A requalificação das Escolas Velhas e Hospital de Almeirim são um bom exemplo de como recuperar e conciliar a modernidade com a identidade de um lugar e de uma população, numa época em que as migrações e a multiculturalidade ameaçam seriamente o gene cultural local da humanidade. Deveremos nós manter o levantamento e preservação dos edifícios ou fachadas ainda existentes, mantendo o espírito de modernidade com a nossa memória histórica. “Uma cidade sem os seus velhos edifícios é como um homem sem memória”.

 

Ricardo Casebre
Presidente FIFCA

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