Da esquerda para a direita: Alguém?

Durante 26 anos existência, 22 foram passados em Almeirim a tempo inteiro e durante esses 22 vi muita coisa mudar na nossa terra. Desapareceram as “carroças” e as mulas, desapareceram aquelas pessoas que iam a pé e de “pasteleira” trabalhar para os campos, desapareceu o “chinquilho” no ringue do Pavilhão, mas globalmente desapareceu uma parte da ruralidade de Almeirim com a passagem para os anos 2000. Essa mudança de milénio trouxe modernidade para a nossa terra (já havia sendo iniciada antes). Alcatrão (em alguns sítios) saneamento básico na maior parte do Concelho, transportes públicos urbanos, museus, jardins, cineteatro, campos desportivos, escolas renovadas, parques infantis e novas urbanizações que davam pujança a uma cidade que parecia demograficamente a crescer (Desde 2001 até 2014 ganhamos 1331 novos habitantes) e que caminhava para ser o dormitório da Capital de Distrito. No entanto no meio de tanta estrutura baseada no investimento público, envelhecemos (passamos de 130 idosos p/cada 100 jovens p/ 150, entre 2001 e 2014) e empobrecemos (passamos de 63 Sociedades constituídas p/ 38, entre 2001 e 2014), com isto também a taxa de desemprego e os apoios sociais aumentaram. Como será possível? Uns dirão que é tendência nacional, outros que foram as políticas nacionais desastrosas. Poderíamos continuar a citar estatísticas negativas destes últimos 13 anos até ao fim, mas essa não é a intenção nem o objetivo. Essa conversa apenas serve para alimentar posições de uma oposição permanente que apenas beneficia quem as apresenta e vende à opinião pública. Enquanto Concelho e grupo de cidadãos que geograficamente habita no mesmo espaço territorial, temos a responsabilidade e obrigação de como na nossa vida pessoal, definir objetivos, definir os instrumentos e timings, e concretizar essa estratégia de desenvolvimento. A verdade é que não podemos culpar os responsáveis políticos pela ausência de estratégia para a nossa terra. A verdade é que de 4 em 4 anos a democracia se manifesta num ato cada vez mais casual e social, e digamos a verdade, quem é que já se apresentou em eleições em Almeirim com um bom diagnóstico feito da nossa realidade e com uma estratégia definida com objetivos concretos e mensuráveis que possam ser avaliados no final dos mandatos? Somos cada vez mais subjugados à teoria “ faz se o melhor que se pode com o que se tem” e algumas ideias soltas em jornais e nas redes sociais que são meros slogans de marketing que se desvanecem no tempo, e isso não é estratégia para o nosso futuro a 10 ou 20 anos. Não é possível, as assembleias de freguesia, municipal e executivo apresentarem um plano estratégico para a terra? Por certo há muitas coisas em que é possível divergir, mas não é possível chegar a um consenso para o futuro da nossa terra? Sem uma estratégia para o desenvolvimento económico não existe futuro demográfico no interior e não podemos exigir ao estado esse trabalho. Fica a ideia para quem manda cá no burgo.

Firmino Serôdio
Partido Social Democrata
Economista

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