A ocupação de Santarém (1ª Parte)

De facto, uma pequena parte das tropas francesas já tinha chegado e ocupado Santarém no passado dia 9 de Outubro de 1810 (11), um evento que o General Barão também fez questão de registar nas suas memórias e que descreveu da maneira seguinte: “a nossa vanguarda chegou, finalmente, às margens do Tejo e ocupou Santarém, cidade importante pelo comércio. Lá encontrámos muitas provisões e de todo o tipo, mas esta vantagem foi compensada de forma desagradável (…) por chuvas de outono como só se vêem nos trópicos e nas costas do Sul da Península”. (12) Joaquim Veríssimo Serrão, na sua História de Portugal, refere que a decisão de Massena em ocupar estrategicamente Santarém devera-se, muito em parte, ao parecer do general Vincent, que considerava aquela vila o ponto ideal para quem quisesse conquistar Lisboa através das duas margens do Tejo. “Sendo um entroncamento de caminhos, ali se fazia a junção perfeita entre as forças da Estremadura e do Ribatejo, com a vantagem de estar numa região fértil em cereais e em vinho, o que garantia o abastecimento de um numeroso exército.” (13) Após a retirada francesa das Linhas de Torres Vedras, a 4 de Novembro, “O 2º corpo foi fixado em Santarém, uma posição forte cuja esquerda é defendida pelo Tejo e a frente por Rio Maior. (14) O 8º corpo ocupou Torres Novas, Pernes e a parte baixa do Montejunto. O 6º corpo estava posicionado em Tomar, o parque de artilharia grande, em Tancos e (…) a cavalaria em Ourém. O marechal Massena instalou o seu quartel-general em Torres Novas, ponto central da sua armada”. (15) Perante este recuo, os ingleses seguiram o inimigo, “lorde Wellington pôs o seu quartel-general no Cartaxo, em frente a Santarém, e os dois exércitos, separados apenas por Rio Maior (16), continuaram lá, desde meados de Novembro de 1810 até dia 5 de Março de 1811.” (17)

(11) Veríssimo Serrão refere que este acontecimento se deu ao dia 6 – SERRÃO, op. cit., p. 85. (12) MARBOT, op. cit., p. 75.
(13) SERRÃO, Op. cit., p. 85.
(14) Cf. Nota 9, no artigo de 15 de Março 2016. (15) MARBOT, op. cit., pp. 83-84.
(16) Cf. Nota 9, no artigo de 5 de Março 2016. (17) MARBOT, op. cit., p. 84.

Gustavo Pacheco Pimentel | Investigador
gustavopachecopimentel@hotmail.com

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