Upgrade de tradição

Um dos receios das gerações é a perda das tradições pelas vindouras. Perda ou esquecimento, com um mundo em evolução, fácil é o desinteresse por costumes e hábitos antigos para dar lugar a novos e, dependendo de opiniões, mais interessantes. Almeirim não deixa de ser uma terra de tradições, hábitos e costumes. Uma terra de gente interessada, atenta e, digamos, comunicativa.
Hoje a notícia voa, chega-nos através de empenho e profissionalismo. Quase no momento, as novas tecnologias e as redes sociais catapultam a informação como nunca antes. No entanto, a literacia, aliada a esta facilidade de acesso à informação, elevou a importância e a credibilidade das gordas, e num tempo em que todos opinam e partilham praticamente tudo, num provável interesse de mostrar mais do que se é, uma velha tradição não apenas se mantem, evolui.
Hoje não se encontram às janelas, ombreiras de portas ou esquinas, sendo todo o tema discutido e evoluído na comodidade que a portabilidade de um aparelho oferece. Um fenómeno semelhante ao do desaparecimento das brincadeiras de crianças das ruas. Os ridículos factos documentados pelo rigor de um jornalismo de falatório de rua, onde se dá destaque ao que menos importa e inventa-se o que lhes interessa, prevalece e apenas ocorre para debate pormenorizado e partilha através do diz que disse e do nada sei, dando azo a historias e rumores que agitam opiniões e, de alguma forma, ajudam ao desenvolvimento da criatividade.
A atualidade e a notícia vai para lá do teatro da vida a que muitos insistem em querer presenciar e outros por tudo fazem para dar nas vistas na busca de uma qualquer e efémera notoriedade. São sensacionalismos que ajudam a manter uma tradição bem local e conhecida, longe de cair em esquecimento. Diga-se o que se disser.

Bruno Aniceto – Escritor

.