Vereador chegou a jogar ao lado de Paulo Futre

Paulo Caetano foi a grande surpresa na Lista do PS em 2013. Agora com pouco mais de dois anos como vereador e vice da Câmara de Almeirim, o autarca fala da experiência, dos ensinamentos de  Pedro Ribeiro … e até dos tempos em que chegou à seleção nacional. 

Que balanço faz destes dois anos e três meses desde que é vereador e vice-presidente?
Um balanço positivo, tem sido um período de bastante adaptação e de constante melhoramento. Adaptação aos métodos e pessoas com quem trabalhamos, tanto a nível interno, como com todos os munícipes.
A minha dedicação tem sido total e espero poder continuar a trabalhar conjuntamente com todo o executivo municipal no sentido dos melhores e mais eficazes resultados para o nosso concelho.

Quais têm sido os maiores desafios? Quer no plano profissional quer no lado mais humano…
No plano profissional e humano os desafios são imensos, uma vez que se trata assuntos muito diferentes da minha profissão de origem. Efetivamente os problemas humanos, são aqueles que maiores preocupações nos trazem e maiores dificuldades existem para os ultrapassar. Profissionalmente, tenho contado com todos os trabalhadores e com a experiência dos meu colegas de executivo para ultrapassar os desafios.

O que mais tem gostado?
Do relacionamento permanente com todos os cidadãos do nosso concelho, das mais diversas áreas. O facto de colaborar no sentido de o nosso concelho ser uma referência a vários níveis. De poder verificar que temos ao nosso serviço funcionários com muita competência e com uma dedicação digna de registo.

E o que menos tem gostado?
Julgo não existir nada efetivamente negativo, no entanto gostamos sempre de mais e melhor.

Tem também a Administração geral e modernização administrativa, Recursos Humanos (excepto SIADAP), Aprovisionamento, Desporto e tempos livres, Juventude e Equipamentos municipais e gestão da frota municipal. Qual a área que é mais exigente?
Todas estas áreas são exigentes, algumas têm mais mediatização do que outras, no entanto todas têm a sua importância.
Recursos Humanos, é talvez aquele departamento que prova que é possível com pouco fazer muito, muita dedicação e profissionalismo, tem permitido um melhor e mais próximo acompanhamento de todas as situações dos trabalhadores.
O aprovisionamento é o departamento, onde as nossas decisões podem interferir mais com a vida das empresas e empresários, no entanto temos atuado sempre com rigor, de forma transparente, e com o objetivo de conseguir sempre o melhor rácio qualidade/preço, nunca esquecendo que nalguns casos somos com toda a certeza um dos mais importantes clientes, para os empresários do nosso concelho.
Administração geral e modernização administrativa, temos vindo a introduzir algumas alterações, estamos no entanto certos que muito trabalho há ainda para fazer. Equipamentos e frota municipal, efetuámos melhoramentos/renovação dos equipamentos que tem mais necessidade e que são mais úteis para o bom desenvolvimento das atividades municipais.

A área da Juventude não podia e devia ser mais dinamizada?
Sendo a juventude um permanente desafio, acredito que muito possa ainda ser feito. No entanto promovemos as férias desportivas em todas as interrupções escolares, férias de desporto e aventura em Ferreira do Zezere, apoio a Collor Run e ao Almeirim Music Festival, são algumas das atividades já realizadas, mas também muitos dos eventos nas áreas da cultura e educação têm como finalidade a juventude. Não posso no entanto deixar de enaltecer o excelente trabalho desenvolvido pelos três agrupamentos de escuteiros, que conjuntamente com as associações desportivas e culturais tem vindo a demonstrar uma boa capacidade de mobilização de jovens, fazendo com que os mesmos tenham ocupação e capacidade de escolher os melhores percursos de vida.

Depois da entrada em vigor do regulamento de atribuição de verbas para desporto. Em 2016 haverá grandes alterações?
A atribuição de verbas para o ano 2015, já foi efetuada com base naquilo que é hoje o regulamento em vigor, nesse sentido e porque a Câmara não tem condições para incrementar a verba total, não me parece que venham a existir grandes alterações em 2016.

Ainda nesta área. Não sente que há clubes a mais para as mesmas modalidades?
Lembro que desde o início do nosso mandato, não houve qualquer, clube ou secção que tenha nascido em modalidades já existentes, pese embora algumas tentativas. A nossa intervenção evitou que isso sucedesse. Julgo que se esses clubes estão ativos é fruto do seu trabalho, porque estou certo de que será a qualidade o barómetro de maior ou menor número de atletas, uma vez que especialmente na formação os jovens e os seus pais estão cada vez mais informados e sabem escolher o melhor clube/associação.
Não posso deixar de referir o excelente trabalho que a maioria dos diretores/seccionistas, tem vindo a desenvolver em prol da melhor qualidade desportiva da nossa população, com o prejuízo claro para as suas vidas pessoais e profissionais. A todos deixo os meus sinceros agradecimentos.

A Câmara ao atribuir subsídios não fomenta isso?
Parece-me que a introdução do regulamento municipal de apoio ao desporto, veio através do seu clausulado colocar restrições para que isso aconteça, uma vez que nos dois primeiros anos não existe subsídio para novos clubes/secções de modalidades já existentes.

A requalificação do Pavilhão e zona envolvente a par das obras no Campo do Fazendense são as grandes obras do desporto para os próximos anos?
Essas são algumas das obras já previstas, que irão com toda a certeza melhorar as condições de trabalho ao nível desportivo do nosso concelho. Acredito que poderá ainda ser possível melhorar as condições do Estádio Municipal, quer ao nível das infraestruturas de apoio, aumento do número de balneários, ampliação da bancada e incremento de espaços para colocação de sedes de clubes/associações, quer também ao nível do número de relvados nomeadamente de futebol de formação.

As freguesias da Raposa e Benfica dificilmente terão campos sintéticos?
A nossa prioridade tem sido de dar condições aos clubes que têm camadas jovens, sabemos que Benfica do Ribatejo, Raposa e Marianos também gostavam de ter um campo sintético. Nós também gostaríamos mas neste momento não é possível. Não colocamos de parte no futuro mas não nos podemos comprometer com datas. Nunca foi essa a nossa postura e não mudará agora.

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O Vice-Presidente foi jogador de futebol. Onde jogou e até que idade?
Sim, fui jogador de futebol, joguei nas camadas jovens da Associação Académica de Santarém até aos iniciados, nos juvenis e juniores joguei na União Desportiva de Santarém, tendo ao longo dos anos participações no campeonato nacional de juvenis com alguns resultados de referência onde destaco a vitória sobre o SL Benfica por 2-0, clube que viria nesse mesmo ano a sagrar-se campeão nacional, tenho também na memória duas finais distritais de juniores. A nível sénior, comecei na Associação Desportiva Fazendense, época onde contraí uma lesão (fratura de menisco). Por opção própria não me sujeitei à cirurgia (naquele tempo não tinha eficácia dos nossos dias). No ano seguinte e apos alguns tratamentos ainda fiz parte da equipa do Abitureiras que se sagrou campeã distrital da 2ª divisão, tendo no ano seguinte interrompido a minha carreira de futebolista, voltando a jogar anos mais tarde pela Associação de Paço dos Negros. Pelo meio tenho varias épocas ligadas ao futsal como jogador, onde conquistei dois títulos de campeão distrital.

Chegou a treinar na seleção nacional com Paulo Futre?
É verdade, no escalão de iniciados, havia jogos inter associações, e num desses jogos entre a AF Santarém e AF de Leiria, aproveitei da melhor forma o facto do selecionador nacional o Sr. José Augusto estar presente, efetuando um bom jogo, fui convocado três vezes para treinos da seleção nacional a ultima das quais já no escalão de juvenis. O Paulo Futre, nessa altura era claramente o jogador que sobressaía, pela sua qualidade muito acima da média, foi uma experiência muito interessante e que me ajudou a perceber bem a diferença que existia entre os grandes clubes e os de província. Felizmente, que nestes escalões existem hoje clubes que trabalham muito bem e batem o pé aos chamados grandes clubes.

Porque não tivemos um grande jogador?
Provavelmente porque a qualidade não era de grande jogador, no entanto pratiquei a modalidade que mais gostava como muito gosto e prazer. Aproveito a oportunidade para alertar todos os pais e atletas, de que as crianças devem trabalhar no melhor sentido para a sua evolução como jogadores, nos treinos e nos jogos, lutando e dando sempre tudo para conseguir o melhor resultado, mas não vão sempre ganhar, e esperam dos pais, sempre o seu incentivo, e lembrem-se que são muito poucos os que conseguem um dia ser profissionais de qualquer modalidade desportiva, nomeadamente do futebol.

Quando foi convidado pelo atual Presidente já esperava ser o numero dois?
O então candidato Pedro Ribeiro, quando me dirigiu o convite, efetivamente propôs-me o lugar de número dois da sua equipa.

O que o cativa no serviço público?
Estou no serviço público com espírito de missão, aliás entendo que muitas mais pessoas deveriam estar disponíveis para colaborar, pois acredito que no dia que sair desta atividade serei uma pessoa muito mais consciente das dificuldades que todos os dias um órgão autárquico passa, para poder melhorar as condições de vida a todos os seus munícipes. É nesse sentido que todos os dias trabalho, para aquilo que julgo ser mais favorável para o concelho de Almeirim.

Que mais valia tem sido para si a experiência na banca?
Pese embora a banca neste momento não seja falada pelos melhores motivos, as regras e os conhecimentos que apreendemos na banca, levam-nos a estar preparados para a resolução de alguns problemas que para a maioria das pessoas são efetivamente mais difíceis. Estes conhecimentos têm sido mais aplicáveis em diversos pelouros da minha responsabilidade.

Sem experiência na política que conselhos lhe dá Pedro Ribeiro e se dá alguns ao Presidente?
A nível da política autárquica, tenho ao longo destes pouco mais de dois anos aprendido muito com o presidente Pedro Ribeiro, pessoa que sem dúvida é aquele que melhor conhece o nosso concelho, que mais tempo dedica e que melhor pode desempenhar as funções de presidente, nesse sentido não é fácil dar-lhe conselhos, no entanto e porque se trata de um bom ouvinte, gosta sempre de perceber qual a opinião de alguém que chegou recentemente a esta atividade e tem uma visão muito mais de cidadão comum.

Acredita que vai continuar a merecer a confiança do Presidente?
Acredito no meu trabalho e na forma correta e dedicada como o faço, pelo que no momento oportuno a decisão será tomada conjuntamente.

Vê-se como sucessor natural de Pedro Ribeiro?
Não é uma situação que me preocupe, uma vez que se tudo correr como esperamos o presidente Pedro Ribeiro, vai continuar a desenvolver o seu trabalho por mais mandatos, e nesse sentido se tudo se mantiver, cá estaremos para no final analisar qual o seu melhor sucessor, mas parece-me demasiado prematura esse tipo de conjuntura.

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