“A grande maioria dos que se opõem à maioria no executivo camarário labora em exclusivo na maledicência”

Recentemente, o vereador Francisco Cunha pediu a sua demissão. Como justifica este pedido?
Essa é apenas uma entre as muitas atitudes provocatórias desse vereador; vereador que foi eleito pelo populismo demagógico e pelos sectores mais reaccionários do eleitorado do concelho, mas também beneficiando da fractura que provocou no PS local; PS que hoje continua totalmente desorientado, sem rumo e a reboque, como apêndice dos oportunistas políticos que ocuparam o PSD em Alpiarça.
O Presidente da Câmara de Alpiarça está legitimado pelo voto dos alpiarcenses; voto que conferiu à CDU duas maiorias absolutas consecutivas, em 2009 e 2013; nesta última, obtida após os primeiros quatro anos de mandato em condições muito difíceis, com mais do triplo dos votos que qualquer um dos nossos adversários, PS e PSD-MPT.
Eu e os outros eleitos da CDU estamos legitimados pela forma como exercemos as nossas funções, pela ligação de proximidade que mantemos com a população de Alpiarça, pelo trato simples, pela forma como nos preocupamos e abordamos os problemas, pela confiança que inspiramos por sermos reconhecidamente gente séria e honesta, representantes deste povo com uma forte tradição de luta pela liberdade e pela democracia.
O nosso maior desafio, constante, com erros pelo caminho, é certo, mas que também julgo diariamente superado com sucesso por cada um de nós eleitos da CDU, é o de continuarmos a ser dignos representantes deste povo e do seu património. E falamos de um património muito valioso. Um património que os democratas de Alpiarça continuarão a defender. Não é um pequeno grupo de provocadores nem um qualquer personagem duvidoso que o irá beliscar.
Em suma, os provocadores, os demagogos, os antidemocratas com inclinações xenófobas e racistas, os populistas, os oportunistas de diferentes matizes, são evidentemente os que não têm condições para representar o povo de Alpiarça e a sua herança histórica, nem estão em condições de contribuir para o progresso social do concelho.

Não será possível a relação dos dois melhorar até final do mandato?
Pelo que já referi, esta é uma questão política de fundo, que não cabe apenas em aspectos do relacionamento pessoal, embora também os afete.
Trata-se de um conflito entre os eleitos pela CDU e alguns portadores do gene do anticomunismo primário; trata-se do conflito entre os defensores do interesse público, os eleitos da CDU, e aqueles que o destruiriam em favor de outras lógicas, caso acedessem ao poder; trata-se do conflito entre os pretendem a todo o custo fazer respeitar as regras de funcionamento institucional dos órgãos autárquicos, os eleitos da CDU, e quem tudo faz para os desrespeitar, para dar espetáculo, para criar “factos”, para inventar dados e calúnias, procurando desgastar a maioria CDU. Estou certo de que a esmagadora maioria da nossa população não se revê nessa forma de fazer política. De entre as poucas centenas de pessoas que votaram neste grupo muitas já estão fartas destas atitudes do vereador do PSD-MPT/TPA e têm-se afastado. Quanto ao relacionamento pessoal, continuarei a procurar tratar todos os vereadores e restantes eleitos com respeito, com a dignidade que merece qualquer ser humano.

As constantes “guerras” não afetam negativamente a imagem de Alpiarça no exterior?
Nós, na CDU, tudo procuramos fazer para reforçar a imagem, pela positiva, do concelho de Alpiarça, dos nossos recursos naturais e patrimoniais, dos nossos produtos e realizações, das iniciativas do nossos empreendedores e do movimento associativo, dos resultados alcançados pelos nossos atletas ou quaisquer outros representantes do que é nosso.
O mesmo não poderei dizer dos nossos opositores, quer no PS quer no PSD/TPA, com poucas exceções. A grande maioria dos que se opõem à maioria no executivo camarário labora em exclusivo na maledicência, no simples dizer mal, disparando para todo o lado, contra tudo o que se faça no concelho. Nunca tinha assistido a nada parecido em Alpiarça.
Julgando estar a atacar a maioria CDU, atacam objetivamente todos os elementos e símbolos mais valiosos da terra e, com eles, a própria imagem do concelho no exterior; atacam a Barragem dos Patudos, criando cenários apocalípticos em torno de um problema que não souberam resolver; atacam o Parque de Campismo; atacam a Casa-Museu dos Patudos; atacam a cooperativa AgroAlpiarça, que estamos a recuperar depois de vários anos de descalabro; atacam os clubes e associações, desvalorizam alguns dos excelentes resultados desportivos alcançados, desvalorizam os dirigentes que trabalham graciosamente; atacam os nossos Bombeiros, instituição das mais prestigiadas; até atacam a qualidade do melão que os nossos agricultores produzem. Pretendem até, com algum revanchismo ideológico, a partir de falsidades, manchar a imagem de Alpiarça como terra de Liberdade, terra de Abril, terra de gente profundamente ligada à Democracia. Também nestes propósitos, os alpiarcenses defenderão todos estes bens valiosos do nosso património coletivo. Em democracia, e ao nível da intervenção do Poder Local, existem tantas formas de se fazer oposição, de forma crítica e construtiva. Mas tal exige conhecimento das matérias e assuntos em discussão e respeito institucional.

O próximo ano será de maior investimento?
A nossa perspetiva é de que possa vir a ser. Em 2016, com a possibilidade de candidatarmos e vermos aprovados alguns projetos a financiamento comunitário no quadro do “Portugal 2020”, com a respetiva comparticipação, esperamos estar em condições de concretizar alguns investimentos que consideramos importantes para o futuro do concelho. Estes dois últimos anos têm sido de quase completa paragem na realização de obras pelo Poder Local, por falta de capitais próprios, certamente, mas sobretudo porque o anterior QREN já fechou e o novo quadro “Portugal 2020” ainda não está a funcionar, pelo menos não está acessível aos municípios.
Sabemos que, contrariamente ao que andava a ser anunciado, as verbas disponíveis para os municípios serão muito menores que no QREN, menos de metade, no que respeita à contratualização no âmbito da CIMLT. Procurando aproveitar ao máximo as verbas que estarão disponíveis ao Município de Alpiarça, e tendo como limitação a nossa difícil situação financeira, decisiva no que respeita à parte não comparticipada nos projetos, temos intenção de intervir nas áreas da regeneração urbana e de melhoria do espaço público no concelho, na qualificação, para efeitos de aproveitamento turístico, de algumas áreas de importância ambiental, como é o caso da zona envolvente à Barragem dos Patudos, na qualificação e formação das nossas crianças e jovens em idade escolar, bem como na área dos equipamentos sociais, sobretudo no apoio a crianças e à população mais idosa, necessitada de cuidados integrados e continuados.

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Sente que a dívida herdada condicionou este seu mandato?
Condicionou este mandato, o anterior e continuará a condicionar toda a intervenção do Município de Alpiarça nos próximos anos, limitando a sua capacidade de realização, os investimentos que estará em condições de fazer e o serviço a prestar às populações. É uma realidade. Só para os populistas e demagogos é que há fórmulas mágicas para resolver os problemas. A nós cabe-nos esta tarefa histórica, que assumimos, que é a da recuperação das finanças municipais no período previsto no plano de saneamento em vigor, criando paralelamente as condições que permitam níveis de qualidade nos serviços prestados pela autarquia, o apoio à dinamização da nossa comunidade e realizando obras e investimentos que sejam fundamentais ao futuro do concelho.

O que faria com mais dinheiro?
Muitas coisas, certamente. É muito mais fácil trabalhar com disponibilidade financeira. Temos um vasto programa que apresentámos à população e que gostaríamos de poder concretizar, desde que na posse dos recursos financeiros necessários. Se possuíssemos esses meios, continuaríamos a aposta nas crianças e jovens, nos equipamentos e nas condições educativas, apostaríamos na promoção do associativismo empresarial e na promoção dos nossos produtos agrícolas e na nossa gastronomia, na melhoria das infraestruturas de apoio às atividades económicas e da rede viária, na valorização de toda a área do Alto do Castelo e da Barragem, na criação e dinamização de novos circuitos turísticos, na regeneração urbana e requalificação do edificado e dos espaços públicos do concelho, no reforço dos apoios sociais e ao movimento associativo, na criação de infraestruturas que viessem reforçar as valências já existentes para enquadramento da população mais idosa, complementando essa oferta com novas unidades viradas para os cuidados integrados e continuados. São apenas alguns exemplos, do que gostaríamos de fazer, e que consta das nossas intenções, desde que fossem reunidas as condições financeiras para tal, o que dificilmente poderá ocorrer em simultâneo. Terá ser um trabalho continuado e progressivo deste Poder Local saído de Abril, e só possível se enquadrado por políticas nacionais ao serviço do povo português.

Pode assumir já que vai concorrer nas próximas autárquicas?
Ainda não estamos a meio deste mandato e esse tipo de decisão só pode ser tomada muito mais lá para a frente, neste caso envolvendo a participação de muita gente.

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