Antigamente era assim: OH GENTE DA NHA TERRA….ANTIGA….

Eram nos  meses de julho a setembro nos anos 50/60. Pelas fronteiras lá vinham, os nossos emigrantes hoje bem poucos os que são, mas acerca de 50 anos muitos nos traziam a saudade na sua bagagem. Saudade da sua terra, saudade das suas gentes, saudade das suas festas (?) e também de uns dias na Praia na Nazaré ou da Foz do Arelho.

Percorriam milhares de kms para voltarem à nossa santa terra que os viu nascer e na sua homenagem aos entes perdidos de vista claro o abraçar a sua velha mãe, o pai, até os filhos etc., andar nas ruas da sua infância, rever o pessoal amigo e era onde? Nos Cafés da nossa Vila, onde a pulharia como se denominava na altura por ali se juntavam; Na Pastelaria, no café do Afonso, do Alfredo, em todas as Tabernas, nas barbearias, oficinas, etc. Era preciso aparecer e dar nas vistas. O visual era já muito discreto no aspecto de roupagem naquele tempo. As cores garridas onde os efeitos americanos já dispunham de muita clientela pelas Francias copiando o que Elvis Presley que já inundava por lá, a moda garrida no vestir mas nós por cá limitavamos a ter a tradicional vestimenta do fato escuro e chapéu e eramos vestidos pelas cores cinzentas, por um lado pelo que me lembro eram melhores porque absorviam o sujo, ao passo que as cores vivas qualquer nódoa de gordura dava mais nas vistas. (O que eu sei, gente da nha terra). Cheirar os calitrais da Mina e os pinheirais do Dr. Caroça, os Sobreirais lá p´ros lados do Campo da Bola ou mesmo ali para os lados das Fazendas, neste caso p´ro lado dos Charnecos, o ver correr a água cristalina da vala (?), ouvir o som do gado aqui pelas ruas, hoje sómente em Cd`s, o bater dos cascos no pouco empedrado das nossas ruas das bestas que lá levavam as nossas carroças, já começava a dar que entender que na sua volta para os Franciuses, a vindima era só para recordar.

Ver a casa dos seus sonhos, erguer-se pintadinha de branco com um belo jardim fronteiro, uma fonte com um Leão ou uma Águia conforme o Clube da sua preferencia com o mundo a seus pés, mesmo ali no portão, contrastando com as construções antigas de terra e adobe, com uma lareira a um canto onde ali, se coziam as batatas, as feijocas, o café e como sabia tão bem aquele cheirinho. A carne no fumeiro, os chouriços, as morcelas e as farinheiras pendurados na trave da velha cheminé e da casa.” Hoje já não há cheiros destes como os da nossa infância. Também “Estes” foram os carrascos das tradições e do bairrismo, que ao trazerem as ideias da Torre “IFELI” lá das Franças, ajudaram sem querer a destronar a cal que caiava as frontarias das casas, até nas matanças de porco também por cá deram o peid…mestre, já não falando de outras coisas.

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