Crónicas da Cidade: 500 anos do Convento da Serra

Em 1514, rigorosamente há 500 Anos,o Rei D.Manuel recebeu uma Bula(autorização)do Papa Leão X para construir, junto à Ermida já então elevada (por vontade testamentária antecessor D.João II) o Real Convento da Senhora da Serra , entregue aos frades da Ordem de S.Domingos de Santarém que aí rezavam missa diária e recebíamos frequentes peregrinos.

O local foi consagrado na sequência da aparição resplandecente de uma imagem de Nossa Senhora a pastores locais, descrita pelo padre Inácio de Vasconcelos na sua “História de Santarém Edificada”(1740)em muito semelhante às descrições de Fátima vários séculos depois.Além da igreja ampliada com cripta subterrânea e torre de relógio, incluia aposentos para os frades residentes e peregrinos.

Deste importante património edificado resta o Pórtico de entrada na cerca do outrora Convento (hoje propriedade Conde Sobral/herdeiros Margaride) e espólio disperso entre o qual: a imagem do Senhor da Serra na Igreja Paroquial, lápide(s) funerária(s) e mísulas de cantaria no Museu Municipal de Almeirim e três belas pinturas (do retábulo do altarmor) hoje no Museu Nacional de Arte Antiga(Lisboa).Fazendo parte do Itinerário da história do concelho merece uma placa descritiva memorial junto ao seu pórtico.

Os escritos e intervenções de divulgação do património e história da vila/cidade e Concelho vêm dando frutos, sensibilizando e tornando crescente a curiosidade e o conhecimento.Através das artes, filmes promocionais, recriações teatrais, atividades escolares com uso das novas tecnologias, podem dar-se passos motivadores.
As exposições “Pessoas e Factos” da Ass.Defesa do Património têm estimulado a participação,os estudos e publicações sobre o território, gentes e história vão aumentando, o Mu-seu municipal e os prometedores projetos para recuperação da Capela do Espírito Santo(Escolas Velhas)e Centro de Interpretação, a almejada dignificação do Paço dos Negros, as iniciativas de cidadãos atentos à cultura,a realização de maquetas e filmes de reconstituição do património desaparecido, o projecto do Memorial 600Anos que editou uma coleção de postais da história local, o interesse demonstrado pelas escolas e outras iniciativas, fazem- -nos acreditar que, a salvaguarda e visibilidade do património cultural vai frutificar bem mais.

Elias Rodrigues 

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