Opinião de Armindo Castelo Bento

Quando, por vezes, somos “ pretensamente convidados” a compararmo-nos com os outros, e a nossa mente reage de forma árdua num esforço para fazer o que sabemos fazer bem, acontece frequentemente que falhamos porque necessariamente podemos não ter o “chamado” dom para tal. É nesses momentos que nunca podemos desistir! Sem dúvida que os objectivos e ambições mais proeminentes na “jornada da vida das pessoas”, é alcançar a felicidade em tudo – tudo isso na realidade só depende de nós próprios. Como alguém disse, num texto atribuído a Sarah Westphal, “desconfie do destino e acredite em si. Gaste mais horas a realizar que a sonhar, a fazer do que a planear, a viver do que a esperar porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.”

Nestes tempos que passam, as pessoas em geral — e também os investigadores científicos e outros estudiosos — vão percebendo que a melhor forma de se realizarem passa por se encontrarem a si próprias, através do recolhimento e da reflexão. “Torna-se possível abandonar interesses pessoais e egoístas, focando a atenção, o pensamento e a acção no que é, de facto, útil para o outro, para o Todo e, por isso, também para si.
Dá-se como que uma ampliação da consciência, que permite a quietude e o silêncio interior, o reforço da auto-confiança e, então, a força serena da acção adequada e capaz de proporcionar as mais bonitas realizações.”
(Luis Portela – da ciência ao amor- 2018)

Uma das únicas coisas que sempre todos nós destacamos é que por trás de todas as coisas externas, as histórias, as dificuldades, as injustiças e as dores, todos nós queremos a mesma coisa: viver a nossa vida.

Diz Lao Tsé em O Livro do Caminho Perfeito: “[…] o sábio executa suas tarefas sem agir e transmite ensinamentos sem usar palavras. Todas as coisas agem, e ele não lhes nega auxílio. Produz sem apropriar-se de coisa alguma. Realiza sua tarefa e não pede gratidão e é justamente porque não se apega que o mérito jamais o abandona e suas obras meritórias subsistem”. Para sentir como nós importamos. Para se relacionar com as pessoas. Para ter um senso de propósito. Para aceitar quem somos. Para entrar em acordo com a vida que temos à nossa frente, mesmo que não seja a vida que imaginamos, mais do que palavras, devemos focar-nos nas nossas atitudes. Temos personalidades, temperamentos, gostos, desejos, pensamentos, comportamentos… diferentes, e até perante um mesmo estímulo, pode acontecer sentirmos de forma diferente. Somos únicos! Não existe uma única pessoa no mundo igual a si! Mas, todos temos algo maravilhoso em comum: você, é aquela pessoa que se encontra mais perto de si, assim como aquela que mais distante está de si, todos querem sentir-se amados. Como disse Sarah Westphal:
“Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez é a desilusão de
um quase! É o quase que me incomoda que me entristece, me mata trazendo tudo que poderia ter sido… e não foi.”

Quando perdemos algum ente querido inesperadamente, percebemos como a vida é efémera e imprevisível. Com a rotina do quotidiano – família, amigos e trabalho, por exemplo – não notamos como tudo pode terminar a qualquer momento e é inevitável não nos questionarmos: é essa a vida que queremos viver? Aprendemos a dar mais valor aos momentos e a vivê-los como se fossem os últimos, evidenciando sempre o amor e os bons sentimentos sobre todas as outras coisas.
No entanto, antes de escolher o caminho é preciso saber o que esperar da vida. Depois de traçado o destino, precisa trilhar o percurso com determinação, esperança e humildade, pois somente assim conseguirá ser feliz e viver a sua vida. A partir de determinada altura, a pessoa habitua-se a viver com a ausência, nunca a aceitando, mas vive-a com nostalgia. “Para realizar um sonho é preciso esquecê-lo, distrair dele a atenção. Por isso realizar é não realizar.” (Fernando Pessoa)

Armindo Castelo Bento
Economista

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