Legislatura

Com o aproximar de eleições e de um novo Parlamento é tempo de fazer o balanço da legislatura que agora termina. Este governo, apoiado numa maioria parlamentar de esquerda – de imediato apelidada de “geringonça”– provou que a vida breve que muitos lhe vaticinaram, afinal, durou toda a legislatura.

De um país psicologicamente traumatizado – os culpados éramos todos nós, os “gastadores” – surge, de novo, uma sociedade convicta dos seus valores”

Perante o resultado destes quatro anos, talvez a história venha a reformular o apelido, mudando-o para “geringonça bem afinada”, pois a engenhoca provou funcionar muito bem. Depois do período cinzento do “bom aluno” Passos Coelho, assente na filosofia segundo a qual para vencer a fome o melhor é desabituarmo-nos de comer e que para desenvolver é necessário destruir primeiro, o governo de António Costa contrapôs um novo ciclo em que a confiança e a esperança no futuro são de novo o paradigma. A monstruosa taxa de desemprego caiu a pique, a moribunda economia voltou a dar sinais de grande dinamismo, as finanças equilibraram-se sem necessidade de medidas traumáticas e deram confiança aos mercados – com o reconhecimento das “insuspeitas” agências de rating. De um país psicologicamente traumatizado – os culpados éramos todos nós, os “gastadores” – surge, de novo, uma sociedade convicta dos seus valores. Este é o resultado evidente da diferença entre a cegueira das políticas ultraliberais de direita e as políticas sociais e humanistas da esquerda democrática.

.