“Fosse qual fosse o desfecho da época e se eles continuassem à frente dos destinos do clube nas eleições de maio, ficaria na temporada seguinte”, André Luís PARTE 1

André Luís, que balanço faz da temporada?
O balanço é extremamente positivo, pois inicialmente tínhamos apon- tado apenas aos lugares cimeiros da classificação, invertendo a tendência dos últimos anos, mas acabámos por subir à 1.ª Divisão de forma inequívoca, numa Zona Sul da 2a Divisão tremendamente competitiva. Apesar de tudo foi uma época muito difícil, tivemos que gerir “com pinças” diversos fatores internos que nos foram surgindo e que acabámos por superar com vitórias e demonstrações constantes de união. Não tínhamos um grupo de trabalho fácil de lidar.

Foi o primeiro a dizer que queria subir de divisão, mas foi sempre uma pes- soa com muitas cautelas. Porquê? Talvez tenha sido mal interpretado no início, pois não disse que queria subir, disse sim, que queríamos alcan- çar a subida de divisão em breve, o que

pressupunha que pudesse ser a médio prazo e não logo na primeira época. Mas fui sempre cauteloso por várias razões, uma delas já expliquei anterior- mente que foi o facto de a Direção não nos ter pedido a subida de divisão e isso manteve-nos sempre numa posição de expetativa. Outra, por a cautela ser um dos meus traços de personalidade, que tentei sempre passar para a estrutura que trabalhou comigo, isto porque, tal como diz um ditado bem português, “prudência e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”. Sabemos, por experiência de muitos anos na moda- lidade, que a euforia a mais prejudica sempre quem a assume.

Para fora tinha estas cautelas. E para o grupo?
A mensagem que passámos foi sempre a de chamar os atletas à razão, para nos colocarmos no nosso lugar e com os patins bem assentes no rinque. Equipas houve que enveredaram por um caminho mais sobranceiro e altivo e ficaram para trás, com orçamentos bastante grandes e objetivos mais ambiciosos que os nossos. Todos os jogos foram difíceis, não tivemos mui- tos resultados folgados, nem mesmo com os últimos classificados, portanto nunca houve tempo para não sermos cautelosos.

Qual foi o jogo chave?

Curiosamente o jogo chave foi uma derrota, no Estoril frente à Salesiana no final do mês de fevereiro, em que fomos copiosamente vencidos por 9-6 e em que além de nos sentirmos injustiçados por fatores extra-jogo que não vêm ao caso, apresentámos uma postura nervosa e explosiva que só nos prejudicara. Depois dessa partida sentámo-nos à mesa, arranjámos algumas estratégias para controlarmos os nossos ímpetos, unimo-nos ainda mais como grupo e como “família” e alcançámos sete vitórias, um empate e uma derrota em nove jogos, sendo que a derrota chegou na última jornada, depois de já termos garantido a subida de divisão.

Se não subissem de Divisão não ficava em Almeirim?
Pouco depois de meio da segunda volta tive uma conversa com o presidente, José Salvador, e com o vice-presidente, Nuno Pardal, e de forma informal dei a minha palavra dizendo que, fosse qual fosse o desfecho da época e se eles continuassem à frente dos destinos do clube nas eleições de maio, ficaria na temporada seguinte. Como sou um homem de palavra, sendo que esta vale muito mais do que qualquer papel assinado, serei o treinador dos Seniores Masculinos do Hóquei Clube Os Tigres de Almeirim em 2019/2020.

Onde esteve a chave da subida?

A chave da subida esteve claramente no pormenor. Trabalhamos muito com isso, principalmente na observação de adversários, e fomos referindo isso em quase todos os momentos aos jogadores, porque o pormenor faz quase sem- pre a diferença. Foi isso que nos levou por exemplo a vencer onze dos vinte e seis jogos na Zona Sul por apenas uma bola de diferença. Aliado a isso a chave também esteve na qualidade individual dos jogadores, que conseguiram construir uma equipa sólida e foram os verdadeiros obreiros da subida.

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