O meu regresso e a FNA

Caros leitores desculpem a minha ausência prolongada, a última vez que vos escrevi, foi a descrever a casta Touriga Nacional, há 3 meses!

É essa exatamente a idade que o meu filho mais novo tem, como diz a minha ex-professora Carla Cachola, da Pós-Graduação de Wine Marketing & Business, o meu Minoczinho mais novo. Sim, porque na minha vida existem 3 filhos, dois biológicos e 1 profissional, o Minoc.

Com estes 3 filhos, a disponibilidade para me sentar relaxadamente ao computador e escrever umas palavras é escassa.

Os 2 biológicos felizmente estão de óptima saúde e o profissional também, agora com um mano alentejano, é verdade, o Minoc assumiu-se multiregional e já existe um Minoc Alentejano, que produzi na minha cidade natal Estremoz e que será lançado brevemente, demorou um tempo a finalizar a obra, ao ritmo alentejano, mas valeu a pena esperar! 

É possível sentir o terroir de Estremoz num copo, em breve poderá provar.

Agora falando da Feira Nacional da Agricultura 2019, cujo tema foi a “ Vinha e o Vinho” e teve lugar de 8 a 16 de Junho no CNEMA, em Santarém. Apelar à boa memória dos leitores pode ser difícil, mas o ano passado quando também escrevi para o jornal, sobre este assunto da feira, cujo tema foi “Olival e Azeite”, questionei para quando seria o tema do Vinho e não sendo futuróloga, eis que foi este ano.

Elogio a escolha atendendo à importância que o sector tem a nível nacional e regional, a oferta temática no certame, desde colóquios a provas comentadas no certame e o número de expositores produtores de vinhos. Contudo também tenho uma observação a fazer, que se prendeu com o facto de que a entidade organizadora do evento, neste caso o CNEMA ter proibido a comercialização junto dos restaurantes que estiveram na feira, de vários produtores da região Tejo, isto porque foi feito um acordo comercial com uma única adega da região. Ou seja, todos os restaurantes participantes foram obrigados a comprar apenas vinhos de uma única adega. É claro que isto foi triste e até mesmo escandaloso, o que podia ser uma óptima oportunidade  para dar a conhecer os excelentes vinhos do Tejo, aproveitando o tema da feira, tornou-se um monopólio, que afectou donos dos restaurantes, produtores de diversas marcas e os clientes que foram obrigados a consumir vinho de uma única adega, quando comeram na feira e quiserem beber vinho.

A título de má comparação é o mesmo que decidir previamente o que o visitante vai comer, poderia querer carne de vaca, mas como foi feito um acordo monetário com uma suinicultura, com bastante interesse para o CNEMA, só pode comer carne de porco. Vivemos num País livre e não posso concordar que este tipo de situações sucedam, primeiro porque sou uma consumidora de opinião livre, depois porque também sou produtora de um vinho do Tejo e por último, mas não menos importante, porque sou Confreira da Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo, que prometeu sempre honrar os vinhos do Tejo.

Espero ter disponibilidade para voltar a escrever novamente, pois para mim é uma sensação especial, em que estou no meu “retiro vínico espiritual”. 

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