Por onde anda… Sofia Aguiar

Sofia, pode primeiro que tudo recordar como começou a jogar andebol?

Comecei a jogar andebol com 12 anos. Frequentava a escola preparatória Febo Moniz, onde conheci o Lourenço Reis que na altura lecionava educação física lá. Por eu ser muito alta (aliás, ele pôs-me uma alcunha na altura, que era a galga) e ter algum jeito para jogar andebol perguntou-me se queria ir jogar andebol numa equipa que ele estava a formar. Eu falei com os meus pais e logo aceitei o convite.

Treinávamos no ringue junto ao pavilhão que na altura ainda não existia, e de inverno íamos treinar para o pavilhão de Alpiarça. Eu era a mais nova da equipa, mas rapidamente o andebol começou a crescer em Almeirim.

Quem foram as influências?

Durante alguns anos andamos a disputar o título de campeãs distritais até que, na época de 89/90, conseguimos e subimos à primeira divisão nacional. Na altura tinha uma equipa com grandes talentos. Uma equipa técnica cinco estrelas: Lourenço Reis e Ângelo Almeida, deixa-me só frisar que foram os pioneiros do andebol em Almeirim e os que levaram o nome do União Futebol Clube de Almeirim ao mais alto nível do andebol nacional, os meus pais (Manuel Fernandes e Domitília Fernandes) e Dalila Reis (eram os dirigentes da secção e o nosso massagista, Rui Óscar).

” Hoje sou mãe de dois rapazes e enfermeira, dois papéis distintos que eu tanto amo. “

Quando começou, imaginava que podia chegar a patamares a que chegou?

Nunca pensei que o andebol em Almeirim chegasse ao patamar que chegou.

Quais foram os melhores momentos?

Tive muitos bons momentos vividos no andebol, alguns que nunca vou esquecer, como por exemplo, ver a minha equipa de juvenis ganhar o torneio internacional em Alcochete; outro momento inesquecível foi já na primeira divisão nacional, como sénior, estar a jogar no pavilhão em Almeirim repleto de gente e irmos para o intervalo a ganhar ao Sport Lisboa e Benfica, mas o mais hilariante foi ir jogar ao Funchal, porque na altura tinha duas equipas na primeira divisão nacional; num desses jogos, o meu marido, que na altura era namorado, era e é militar e estava no Funchal em missão, foi ver o jogo acompanhado por alguns colegas, fizeram-nos uma claque que mais parecia que estávamos a jogar em casa, foi muito divertido.

Tem muitas saudades?

Se tenho saudades…Claro que tenho, muitas. Foram anos muito bons, fiz muitas e boas amizades.

Não tem pena de hoje em dia o andebol em Almeirim não ter referências?

Tenho muita pena, sim, de hoje em dia não haver referências do andebol UFCA dessa altura.

E Sofia, como foi conciliando a vida académica?

Quanto à minha vida académica, no início foi um pouco complicado, porque fui estudar para Coimbra enfermagem e não queria de modo algum deixar de jogar. Tinha que treinar quase todos os dias, então fui falar com o treinador da equipa de andebol sénior da Académica de Coimbra, pedir se podia treinar com elas, e todas as quartas-feiras vinha de comboio treinar a Almeirim durante os três anos de curso. Muito cansativo, mas nessa altura eu queria era conciliar o meu curso com o andebol.

Quem é hoje a Sofia, que alguns nos lembramos da menina do andebol?

Hoje sou mãe de dois rapazes e enfermeira, dois papéis distintos que eu tanto amo.

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