HACL reabilita Arena D`Almeirim

A obra da Arena d´Almeirim está concluída. Quanto tempo durou e qual foi a complexidade de reestruturação daquele edifício?

A remodelação da Arena de Almeirim iniciou-se em finais de Outubro de 2017 e a empreitada teve duração de aproximadamente 18 meses. Tratou-se de uma empreitada que envolveu toda a reestruturação exterior do edifício por forma a possibilitar a criação de espaços comerciais com acesso pelo exterior e também instalações de apoio ao funcionamento do recinto da praça uma vez que cada entrada / sector ficou individualizado e foi dotado de instalações sanitárias (dimensionadas em função da capacidade de cada um deles), foram executadas zonas especificas com sejam enfermagem, bilheteira, camarins, sala de cavaleiros, capela e também o acesso à zona de entrada de cavalos. A zona dos curros só teve intervenção pelo exterior. A maior complexidade foi coordenar os trabalhos tendo em atenção a dimensão da obra, e a sua localização numa zona privilegiada e de grande afluência de pessoas em Almeirim e tentar afectar o mínimo possível os serviços existentes na zona nomeadamente na área da restauração. Foi necessário proceder a demolições substanciais – com a retirada da parede exterior que fechava as bancadas e todas as divisórias interiores existentes debaixo das mesmas, e seguidamente a integração de uma nova estrutura com um misto de betão armado e metálica para delinear o edifício tal como estava projectado. Seguidamente foram feitas as intervenções a nível de acabamentos exteriores, que mais uma vez exigiram cuidados específicos dada a localização da obra. A nível interior a maior dificuldade foi a execução de uma cobertura sob as bancadas em painel sandwich para resolver os problemas de infiltrações providas das juntas de dilatação das bancadas. Toda a intervenção foi feita por fases devido à extensão da obra.

A praça de toiros tinha algum problema estrutural que tivesse de ser reparado ou foi uma questão estética?

Executámos as demolições de todas as paredes exteriores de forma cuidadosa para não danificar a sua estrutura. Ainda assim, como medida de reforço e interligação dos elementos estruturais existentes com a nova solução foram criados pórticos estruturais na delineação de todas as lojas e entradas/Sectores. Esses pórticos aliaram a questão estrutural com a questão estética porque vieram realçar cada espaço comercial ou zona de acesso ao interior da praça, o que do meu ponto de vista me parece uma solução estética muito interessante e que veio engrandecer Foto: O Almeirinense este equipamento como um todo.

Tendo em conta que o edifício não estava preparado para a elaboração de tantas lojas e qual foi o desafio maior em encaixar todo o programa relativamente à engenharia?

Esse foi um desafio que terá começado logo ao nível do projecto, foi uma solução ambiciosa quer por parte do Dono de Obra, quer do projectista e que julgo foi muito bem sucedida pois conseguiram rentabilizar um equipamento que não pode sobreviver só do espectáculo tauromáquico. Da parte de execução em obra tratou-se de cumprir um projecto, que tal como acontece na generalidade se revestiu de dificuldades, e à medida que os trabalhos decorrem têm que ser resolvidas – esta é aliás uma dificuldade ainda maior no caso das obras de remodelação!

Acha que a relação entre engenharia e arquitetura é algo de se deve unir ou separar?

A arquitectura e a engenharia têm obviamente de trabalhar em conjunto para um projecto resultar em pleno, aliás o que faz com que tantas vezes os projectos se revistam de maiores dificuldades na fase de execução é quando não foi tido este cuidado! Ainda assim, considero que isto não significa que se devam ‘confundir’ as duas áreas – um projecto deverá ser desenvolvido em termos de definição e elaboração pelo arquitecto que teve formação para pensar a estética de uma forma diferente e depois a execução desse projecto ou, se assim o quiser, o estudo para pôr esse projecto a funcionar caberá ao engenheiro com os projectos de especialidades como sejam a estabilidade, águas e esgotos, etc…e depois também com a sua execução em obra. Mas, tal como referi anteriormente é muito importante que todos trabalhem em conjunto para resultar a 100%.

Há mais algum projeto para o concelho? Quais as obras que mais sente “orgulho” e porquê?

Nos últimos anos a HACL,LDA tem realizado obras interessantes em Almeirim e em todo o seu concelho. Uma das mais emblemáticas foi a requalificação da antiga Igreja do Divino Espírito Santo e do edifício das Escolas Velhas, ambos convertidos no Centro de Interpretação Histórica de Almeirim (1ª fase). Também construímos a Clínica de fisioterapia e os arranjos exteriores do colégio Conde de Sobral para a Santa Casa da Misericórdia de Almeirim. Pelo concelho temos levado a cabo várias obras de remodelação, entre as quais centros de saúde, escolas, entre outros.. De momento estamos a finalizar a remodelação da escola de Paços Negros e o Centro de Comando Distrital e Operações de Socorro (CDOS) . A obra de remodelação da Arena de Almeirim foi de facto um projecto muito interessante de executar, não só porque foi o primeiro deste género mas como também pelo resultado final , pelo que a Santa Casa e todas as entidades que fizeram este projecto avançar deverão estar orgulhosos do resultado final e a população orgulhosa de ter um espaço com tamanhas valências .

Na sua opinião o que está mais na moda: construir ou remodelar?

Não se trata de moda mas de necessidade. Temos necessidade de remodelar! Temos o dever de zelar pelos nossos centros históricos (e não só!) e não deixar o nosso Património cair! É uma tristeza andarmos pelas nossas cidades e vermos o estado a que chegam os edifícios mais antigos, muitos completamente devolutos e até em muitos casos a colocar em risco a vida das pessoas. É preciso criar políticas neste sentido cada vez mais exigentes e levar também os particulares a perceberem esta grande necessidade. No fim, todos ganharemos com essa mudança de atitude!!

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