Almeirim vai em peso ver o Fantasma da Ópera

Armando, como surgiu a possibilidade de trazer a Portugal o Fantasma da Ópera?

A possibilidade fui eu que a fiz, não surgiu. Tantos anos em Londres, os musicais fazem parte de quem tenha interesse nas artes. O Fantasma da Ópera é daquelas coisas que quem não foi gostava de ir. Eu vi o Fantasma da Ópera várias vezes, faz agora oito anos quando foi lá o coro de Almeirim, fomos ver na sexta-feira o Fantasma da Ópera com Sophia Escobar nos 25 anos do fantasma, pois eles fizeram uma produção nova dos 25 anos. Sabia que nunca tinha vindo a Portugal o do Andrew Lloyd Webberporque. Na Alemanha há quatro musicais Fantasma da Ópera de compositores alemães. Há um que veio cá nos anos 90 se não me engano, o do Lloyd Webber nunca tinha vindo, portanto é um misto de verdade, posso dizer que não estava explorado.

Foi difícil?

Não foi uma questão de ser difícil, eles são muito exigentes para ceder uma licença a alguém e eu sou capaz de perceber porque há um musical que tem os sucessos que tem durante estes anos todos, e nunca deixou de sair de palco, quer em Londres quer na América. Obviamente tem que ser regulado tudo o que se faz e eles têm esta empresa que trata de tudo o que é licenças a nível mundial. Eles não me deram satisfações, nem têm que as dar, mas eu percebi que eles devem de ter um número de licenças disponível por ano, pela versão encenada ou para versão concerto, que foi a licença que me concederam a mim e aconteceu. Estava uma licença à minha espera…

Como está a ser a reação mediática? Está a ser positiva? Esperava isto?

Eu sabia que em Portugal nós vamos acompanhando mais o André Rieu, até começamos a ver concertos de rock às vezes, e de todo o tipo de música, e vê-se que há uma apetência cada vez maior. O público vai ver espetáculos e vai ver mais coisas. Obviamente o Fantasma da Ópera pela primeira vez em Portugal esperava que houvesse uma reação muito positiva, tão positiva e tão rápida se calhar não estava à espera. Isto não está na rádio, na televisão, tudo o que está a acontecer neste momento é de internet. Vai haver concerto em Lisboa e no Porto para atingir um público maior. Espera que as salas se esgotem? Eu neste momento não espero, tenho a certeza. Se isso acontecer há possibilidades de haver mais datas em Portugal, ou são só estas as que estão firmadas e daqui é difícil sair? Não nós vamos abrir mais uma data esta semana.

Temos possibilidades de participantes portugueses no elenco. Está confirmado?

Estão todos confirmados. A primeira coisa que eu fiz o ano passado no verão foi falar com a Sophia Escobar em Madrid porque ela está cá a dar um musical em Madrid. Eu queria com o historial que a Sophia e a Lara Martins têm no Fantasma de Ópera de Londres, reunir essas pessoas a cantar juntas o musical Fantasma da Opera. Eu sabia que era uma vantagem muito grande para este projeto, mas antes de tudo fui a Madrid falar com a Sophia, ter uma reunião com ela e perceber quais eram os planos, a disponibilidade dela e que vontade ela teria. Ela disse que o seu sonho era vir cantar o fantasma em Portugal e foi aí que começou, com o sim da Sophia. Depois passado pouco tempo ela pôs-me em contacto com a Lara que teve exatamente a mesma reação “Armando o fantasma em Portugal?!”. A Lara Martins entretanto saiu, mas estão as duas agora por muito motivos praticos. Estamos quase sempre em contacto diário porque agora há ensaios a marcar, há muita coisa a ser feito e acho que anda toda a gente extremamente feliz. O outro objetivo é ter dois cantores principais portugueses neste caso duas cantoras, não haveria motivo nenhum trazer cantores de fora quando temos gente em Portugal a cantar tão bem. A ideia de que o que vem lá de fora é que é bom, é altura de acabarmos com isso.

Temos alguém conhecido do público?

Temos cá de Almeirim o Jorge Batista da Silva, o tenor que vem cantar nas galas de ópera, que vai fazer um dos fantasmas. O Bruno Almeida é o outro fantasma. O David Ripado é, se não me falha a memória, o primeiro triunfo que houve em Portugal há muitos anos atrás. O Flipe de Mora canta muitas coisas do La Féria, que vai fazer de Raúl; a Cátia Mora também canta nas galas; a Patrícia Quintas é do Porto; o Mário Redondo um conhecido do meio musical português e fechei esta semana os dois cantores que me faltavam que são o Diogo Oliveira e o João Marino. Tudo gente muito conhecida das lides artísticas musicais portuguesas, muita gente da música clássica.

Terá também participação?

Eu tenho lá um papel reservado para mim, não sei se vou cantar como deve de calcular. Eu organizei este projeto sozinho e vou ter a responsabilidade toda nas costas. Às vezes cantar não é compatível em estados de nervos um bocadinho mais acentuados.

Vai ainda decidir se aceita esse papel?

Eu vou prepará-lo, se o canto ou não, eu não estou preocupado com isso, tenho gente ótima para cantar o papel, aliás daquilo que eu conheço haveria mais algumas hipóteses. Não são só estes 10 elementos que estão aqui que são o suprassumo do meio em Portugal, mas que eu acho que temos uma equipa extraordinária, não tenho a mínima dúvida, e anda tudo eufórico com isto mesmo na parte dos cantores.

Espera que de Almeirim se organizem excursões?

Já se estão a organizar.

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