Por onde anda… Armindo Bento

O que tem feito o Armindo Bento, prestigiado almeirinense, licenciado em Organização e Gestão, e político muito ativo?

A vida normal de um cidadão que não “desiste” de exercer os direitos de cidadania, sem esquecer os deveres de cidadão.

Do que mais se orgulha de ter feito no percurso profissional?

Ter exercido as funções profissionais de serviço público, por mérito, que foram sempre reconhecidas e que ainda hoje são marcantes nas instituições respetivas. E poder refletir sobre a minha carreira profissional, com o apoio incondicional da minha esposa, de modo a poder optar em cada momento por uma escolha equilibrada e na qual me sentisse bem, e nunca ter cedido a pressões de ordem política. Devemos ter orgulho no nosso percurso de vida, quer familiar, quer profissional, quer até de ordem política. Posso entrar em qualquer lado e não há ninguém que me acuse de deslealdade, sempre cumpri a minha palavra. Quem quer ter sucesso na vida deve ser sério, ter ambição, e nortear-se por princípios éticos e de respeito pelos valores humanos. Deve dar os passos conforme as pernas, relembro sempre os ensinamentos do meu avô materno, o avô Zé : “nunca saltes uma vala cuja largura seja maior que o comprimento das tuas pernas! Mas se achares que és capaz, não desistas, o que de pior te pode acontecer é ficares todo molhado!” Na vida também temos que correr alguns riscos, na verdade não correr riscos exagerados, de modo a podermos controlar os acontecimentos.

E no político?

Ter exercido, sempre a título não oneroso para o erário público, todas as funções que por mim foram prestadas de serviço público, quer local, quer regional. Todos nós temos talentos diferentes, mas todos nós gostaríamos de ter iguais oportunidades para desenvolver os nossos talentos, e hoje julgo que me foram dadas essas oportunidades e pude escolher e optar de acordo com a minha visão da vida e do que como cidadão podia, em cada momento, participar na vida pública, quer local, quer nacional.

E o que orgulha menos na política?

Assistir no dia a dia à incompetência, à falta de ética, às inverdades e ao desrespeito pelos valores da sociedade que, infelizmente, hoje persistem na vida política no nosso País.

Arrepende-se de ter saído do PS?

Nunca saí do Partido Socialista, sempre fui militante e sou, com as quotas pagas.

Mas a memória do Homem não é demasiado seletiva e poucos se recordarão de tudo o que fez no PS?

As minhas memórias retêm a célebre frase do presidente dos USA, Kenedy “Não perguntes o que o teu País pode fazer por ti. Pergunta o que tu podes fazer por ele.” O laço essencial que nos une é que todos habitamos este pequeno planeta. Todos respiramos o mesmo ar. Todos nos preocupamos com o futuro dos nossos filhos e das nossas famílias. E todos somos mortais. Acima de tudo saber perdoar, mas nunca esquecer.

Que memórias tem de Fazendas de Almeirim e Marianos nos tempos de criança?

As memórias dos tempos de criança e sentir que ainda hoje mantenho os mesmos amigos desse tempo. Hoje, olhando para todo o meu percurso de vida, percebo que foi um período muito especial para todos os que nasceram no início dos anos 50, 60 e assistiram a todas as mudanças culturais e sociais desse tempo. Apercebo-me de que o meu tempo era mais lento nas transformações tecnológicas, havia uma pressão menor da publicidade massificadora dos hábitos e experiências. Ou seja, podíamos saborear tudo melhor, “coisas” que hoje os jovens que “parece” que tudo têm, mas afinal nada têm!

Mas depois o ensino secundário, terminou em Santarém?

Fiz o ensino primário na escola dos Marianos e o secundário na Escola Industrial e Comercial de Santarém (Curso Geral do Comércio), em Lisboa fiz o Instituto Comercial e a licenciatura em Organização e Gestão de Empresas no Instituto Superior de Economia (ex-Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, atual Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa), tendo também concluído a pós-graduação em Direito Administrativo e Administração Pública, pelo Instituto Superior de Tecnologia Empresarial, Programa de Alta Direção de Empresas –AESE- IESE-Universidad de Navarra, e pós-graduação em Direito do Trabalho, pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Sempre entendi que o saber era um privilégio. Estudar (atualizar e informar-se) toda a vida, só assim podemos ter ou tentar ter sucesso e realizar alguns dos nossos sonhos.

Que episódios concretos recorda com saudade da política local?

Não é a altura, nem o momento, dado alguns dos protagonistas ainda exercerem funções políticas locais. Basta ler as atas do executivo da câmara municipal, entre 1989-1992, e a da Assembleia Municipal, entre 1993-2008!!! Para encontrar “episódios” da vida política da nossa terra.

Aos 71 anos ainda pode voltar à política no seu concelho?

Uma das coisas que aprendi ao longo da vida foi “nunca digas nunca”… E a notícia da minha “morte” é manifestamente exagerada. Devido a circunstâncias da minha vida pessoal, tento viver um dia de cada vez e recuso-me a fazer qualquer tipo de plano de vida futura. Mas, é evidente que a participação efetiva na política não faz parte do meu dia a dia – sou simplesmente um cidadão consciente dos seus direitos e deveres de cidadania.

Armindo Bento

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