Fusão Nuclear, por Luís Guimarãis

Entre os vários mega-projetos científicos da atualidade, alguns são amplamente conhecidos, como é o caso do acelerador de partículas do CERN (LHC) e a estação espacial internacional. Um não tão conhecido é o projeto ITER, o “International Thermonuclear Experimental Reactor”, cuja sigla significa “o caminho” em latim. O objectivo deste projeto é estudar e controlar reações nucleares onde átomos de hidrogéneo, o elemento químico mais leve, se fundem, e formam elementos mais pesados, como o hélio. A combinação de elementos mais leves em elementos mais pesados, o processo conhecido como fusão nuclear, é o mesmo que ocorre nas estrelas e pelo qual estas brilham. O objectivo do ITER é estudar o caminho a tomar para chegar ao desenho de um reactor de fusão comercial, que aproveitará a enorme quantidade de energia libertada pelas reações de fusão
e converter esta energia em eletricidade. Os reactores nucleares existentes aproveitam a energia libertada pela cisão de elementos pesados, como o urânio. Tal como os reactores nucleares de cisão convencionais, a pegada de carbono
dos reatores de fusão será quase nula. No entanto, o produto final das reações de fusão nuclear não será lixo radioactivo que tem de ser armazenado durante milhares de anos. A abundância do combustível é outra vantagem: enquanto que o número de jazidas de urânio conhecidas é pequeno, a fusão nuclear tem como combustível água e lítio, este também abundante. Num litro de água do mar há combustível de fusão equivalente a pouco mais de 2 barris de petróleo. Embora a fusão nuclear não seja ainda exequível, há um grande esforço internacional para a tornar uma realidade. O objetivo é “criar um Sol numa garrafa”, garrafa essa que será muito especial. Em Portugal, o Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear no Instituto Superior Técnico coordena os esforços nacionais de investigação deste tópico. Se isto aguçou a vossa curiosidade consultem http://www.ipfn.tecnico.ulisboa.pt/ para mais informação.

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