45 anos a prestigiar a figura do Forcado

O Grupo de Forcados Amadores da Chamusca comemora em 2019, 45 anos de existência. Estreou-se a 13 de julho de 1974, em Tomar, pegando toiros de António Barbeiro. Teve como cabo fundador António Timóteo. Depois então capitanearam Manuel João Valério, José Eduardo Neto Ferreira, Nuno Quito, Nuno Marques e atualmente Nuno Marecos. Tem atuado nas mais importantes praças de Portugal, Região Autónoma dos Açores, bem como em Espanha, França, Estados Unidos da América (Califórnia), com exibições carregadas com sangue, suor e lágrimas. Galhardis, humildade e amizade são os pilares em que assenta a forma de estar do Grupo, sempre com objetivo de servir a Festa, honrando as jaquetas das ramagens, assim como o bom nome da Chamusca. Não pode haver Ribatejo sem toiros e sem toureiros. Festas locais e do mundo rural, faz parte da alma que os Ribatejanos possuem, da relação ancestral com o campo e com o gado bravo, do jeito de fazer da vida uma Festa e do risco, um modo de a engrandecer… Quando o sol aquece as manhãs, desafiam o destino do redondel da arena Chamusquense. É um estar que não se explica, sente- se e isso basta, nem tudo pode ser dito, a alma não se representa e vive dentro de nós. No passado sábado dia 26 de janeiro, fomos assistir ao primeiro treino do Amadores da Chamusca. Antes do início do treino era visível no rosto dos forcados do Grupo, a ansiedade misturada com o desejo, de que o treino se iniciasse. Com cerca de 45 elementos (quase metade são almeirinenses), tem também o Grupo Juvenil, composto por cerca de 15 elementos. O treino foi intenso, com pegas de caras e algumas de cernelha. Lidaram-se vacas de Gregório Oliveira, do Ciborro. O Grupo de Forcados Amadores da Chamusca, já tem seis datas marcadas para a temporada de 2019, além da data de 24 de agosto, em Cazabon (França). A pega é um ato artístico que tem de ter beleza e emoção, no por do barrete, no citar, no enfrentar, no templar, no pegar. E é, dizem os Forcados, um prazer indescritível fechar-se um homem na cara do toiro, e ir pela praça fora, aguentando aos derrotes, até o Grupo ajudar e tudo se consumar. É esse prazer enorme que leva o forcado à praça, arriscando a própria vida, para o poder desfrutar. E, isto tudo acontece no Grupo de Forcados Amadores da Chamusca.

A. J. Madureira

.