Tauromaquia mais pobre!

As memórias não morrem! Joaquim Manuel Carvalho Tenório, conhecido como Joaquim Bastinhas, nasceu em Elvas a 8 de março de 1956. Apresentou-se como cavaleiro amador com 12 anos de idade, num tradicional festejo de carnaval, no Campo Pequeno em 2 de fevereiro de 1969. A 15 de maio de 1983 tomou alternativa de cavaleiro tauromáquico na praça de toiros de Évora, tendo como padrinho de alternativa o saudoso José Mestre Batista e como testemunha João Moura. Confirmou a mesma no Campo Pequeno a 14 de julho do mesmo ano, desta vez tendo como padrinho João Palha Ribeiro Telles e Paulo Caetano como testemunha. Em 1984 lidou sozinho seis touros da ganadaria Murteira Grava, na praça de toiros Carlos Relvas, em Setúbal. Cavaleiro de estilo popular , além de todas as praças portuguesas, Joaquim Bastinhas atuou ao longo de uma carreira de glória em Espanha, França, Grécia, Macau, México e Venezuela. A 10 de julho de 2008, no Campo Pequeno, concedeu a alternativa a seu filho Marcos Tenório “Bastinhas”. Esteve afastado das arenas duas temporadas, devido a um acidente grave, sofrido em Setembro de 2015, na sua propriedade em Elvas. Esteve internado no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa desde o dia 3 de novembro último, morrendo ao principio da noite de fim de ano. Foi, na sua arte, um dos grandes, dos maiores e dos melhores. Contagiou multidões com a verdade do seu toureio, a diferença na sua forma de ser e de estar, com a sua alegria contagiante. Podiam muitos tourear melhor, mas nenhum era tão querido, tão idolatrado e tão adorado. Era mais que um toureiro, era um dos ídolos de Portugal. Existem três fases na tauromaquia: antes, durante e depois de Bastinhas e, isto tem fácil explicação, na altura que não havia internet, todo o país só conhecia Bastinhas, pelo seu carácter e personalidade próprias, pela alegria e simpatia, pelos pares de bandarilhas. Joaquim Bastinhas foi único e deixa um vazio imenso na nossa tauromaquia. Que descanse em paz!

A. J. Madureira

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