Orfeão de Almeirim há 25 anos a promover a nossa cultura

CULTURA No ano em que o Orfeão comemora as Bodas de Prata, fazemos, com a médica Isabel Santos, uma uma viagem ao passado do grupo que tanto tem tentado promover o concelho, a região e as suas tradições.

Como surgiu, em 1993, o Orfeão?

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Na altura, o grupo existente integrava o coro da Banda Marcial de Almeirim e quis constituir-se associação, tornando- se independente daquela banda. Na altura existiam já 45 elementos.

Foi logo o Maestro Hélder Mação a dirigir o grupo?

Inicialmente, na Banda Marcial de Almeirim éramos ensaiados pelo próprio maestro da banda, o Sr. Gualberto Fonte Santa. Posteriormente, o maestro Hélder Mação, que ensaiava um grupo de professores na Escola Marquesa da Alorna, trouxe esse grupo e juntou-se a nós, passando a ser o diretor artístico do coro da Banda. Quando nos constituímos Associação já ele nos dirigia.

Qual a importância do maestro no que é hoje o Orfeão?

Constitui uma grande mais-valia, uma vez que foi quem iniciou este grupo na polifonia.

O maestro Hélder Mação deixou o grupo em 1999? Já faleceu?

Sim, ensaiou-nos até 1999 e daí até 2008, tivemos como diretor artístico a maestrina Fátima Cotrim. O maestro Hélder Mação veio a falecer em agosto de 2006.

Quem dirige o grupo?

Desde 2008, o coro é regido pelo maestro Abílio de Almeida Figueiredo.

Quais os momentos mais marcantes nestes 25 anos?

Houve várias situações marcantes neste grupo, sendo que os momentos tristes constituíram o falecimento de alguns coralistas nossos colegas. Mas vivemos momentos muito felizes, em território nacional e estrangeiro, nomeadamente duas viagens à Madeira, duas viagens aos Açores, viagens a Espanha, Holanda, França, Itália e três viagens à República Checa. Dra. Isabel, num plano mais pessoal, como surge a sua entrada no Orfeão? Sou do tempo em que cantávamos na banda. Lembro-me de atuar no cineteatro antes deste ser restaurado… Como comecei… Já lá vão tantos anos, mais ou menos 30, que não me recordo… Mas, certamente, por gostar imenso de cantar e cá estou.

Tem um lado de convivência com outras pessoas? Com outras culturas?

Os momentos de convívio observam-se quando recebemos algum coro ou quando cantamos fora, além disso, fazemos regularmente um passeio convívio em que não há qualquer concerto agendado. O contacto com terceiros é sempre enriquecedor, uma vez que se aprende algo de novo e é importante vivenciarmos outras culturas e percebermos outras realidades.

Poderemos até dizer que é um ato terapêutico?

Cantar é certamente um ato terapêutico. Para cantar é necessário “colocar” a voz, e isso impede a rouquidão e que se desenvolvam nódulos nas cordas vocais. Por outro lado, a música desenvolve nas crianças melhor coordenação motora com a aprendizagem de ritmos, desperta a sensibilidade e criatividade, ajuda a criança a comunicar, a trabalhar em grupo e aumenta a autoestima. Em todas as idades a música funciona como calmante, relaxante e reduz o stress. Estimula a memória, atenua as dores, melhora as capacidades físicas durante o exercício e melhora a qualidade de sono. Deveríamos todos cantar.

O que é necessário para poder entrar no Orfeão?

É necessário contactar a direção e o maestro. Para cantar, deverá ser feito com o maestro um teste de voz, para os cavaquinhos terá que integrar o grupo para aprender a tocar. Em qualquer das situações ter-se-á que fazer uma inscrição como associado e pagar as quotas.

É preciso formação na área da música?

O nosso grupo é formado por amadores. Como em tudo, há exceções, pelo que temos algumas pessoas com formação, mas não é mandatório. Qualquer pessoa pode fazer parte do grupo? Desde que consiga cantar ou tocar e que consiga integrar-se num grupo tão diversificado de pessoas. Todos são bem vindos. O coro adulto ensaia à segunda- -feira à noite, o coro infantil e cavaquinhos ao sábado à tarde. Cá vos esperamos.

E os cavaquinhos, como surgiram?

Do desejo manifestado por alguns elementos do grupo coral e com o acordo do maestro. Realizaram recentemente a festa dos 25 anos.

Foi o momento mais importante deste ano especial?

É justo dizer que sim, pois não são todas as associações que se mantêm 25 anos sempre no ativo.

Quais os grandes objetivos desta direção?

Dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelas anteriores direções. Trabalhar afincadamente para prosseguir com as atividades desta associação a fim de promover e fortalecer a interação com outras associações e entidades através do estabelecimento de parcerias, de modo a permitir o intercâmbio de experiências musicais e sociais enriquecedoras. Assim, poderemos dar um bom contributo à população de Almeirim.

História do Orfeão

Fundado a 5 de janeiro de 1993 no seio da Banda Marcial de Almeirim, em fevereiro do ano seguinte organizou-se como Associação Cultural legalizada, com escritura, estatutos e regulamentos próprios. Em 1997 tornou-se associado do INATEL e, em 1999 alcançou o estatuto de Utilidade Pública. O Orfeão de Almeirim é formado pelo Coro Adulto, composto por cerca de 30 elementos das mais variadas camadas etárias e profissionais, e o Grupo Juvenil, criado em 1996, e que conta atualmente com cerca de 16 elementos com idades compreendidas entre os 6 e os 16 anos. A Associação desenvolve uma intensa atividade cultural, organizando anualmente os concertos de Natal, Primavera, Verão, Encontro de Coros Polifónicos e Encontro de Coros Juvenis, e mantendo ainda viva a tradição do Canto das Janeiras pelas ruas do concelho. Tanto o Coro Adulto como o Juvenil têm participado em concertos de norte a sul do país, normalmente em regime de intercâmbio cultural. O Coro Adulto participa ainda em cerimónias religiosas, concertos de solidariedade e em casamentos, sempre que para tal é solicitado. Entre as mais importantes realizações do Coro Adulto, destacamos as deslocações ao estrangeiro, em regime de intercâmbio cultural, com o Grupo Coral de Milevsko (República Checa, em 1995, 2000 e em 2007), com o Coro de Luca (Milão, Itália, em 1996) e com o Ensemble Vocal “Coloquinte” (França, em 2002). Destacamos também a viagem até Santiago de Compostela, Espanha, em 1997, com participação numa missa de domingo na Catedral. Igualmente importantes foram as duas viagens à Ilha da Madeira, em 2006 e 2009, sendo a primeira em intercâmbio com o Grupo Coral da Casa do Povo de Santa Cruz, para atuações em Boaventura, Ponta do Sol e Santa Cruz, e a segunda para participação no XII Festival de Coros de Natal do Funchal a convite do Orfeão Madeirense. A Ilha de São Jorge, no Arquipélago dos Açores, foi o cenário da última grande viagem em Intercâmbio Cultural que o Orfeão realizou, tendo decorrido em abril de 2011 a convite do Grupo Coral da Santa Casa da Misericórdia da Vila das Velas.

 

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