No Centenário do Armistício – 11 de novembro de 1918 – 2018

No período compreendido entre 1914 e 1918 deu-se o grande conflito europeu conhecido como a Primeira Grande Guerra.

Sendo o resultado dos impasses políticos depois do atentado de Serayevo, desenvolveu-se em várias frentes: Europa, África e Ásia. O nosso país foi envolvido nos confrontos militares, primeiro em África e depois na Europa. Em Moçambique, território ocupado por Portugal, deu-se o primeiro ataque alemão no posto de fronteira de Maziua, em agosto de 1914. Uma força vinda da colónia vizinha, atacou o posto de surpresa, durante a noite, tendo massacrado todos os militares. O mesmo acontecerá na fronteira sul de Angola, na zona do Cuangar, com incidentes a 19 de outubro e o combate de Naulila a 18 de dezembro.

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Até à declaração de Guerra entre os dois países, foram vários os confrontos militares nestas duas colónias portuguesas, embora ainda não houvesse uma declaração de guerra.

Com a entrada de Portugal no conflito, que resultou do pedido inglês para se apreender os navios alemães surtos no Tejo, do que resultou a declaração alemã de guerra, feita a 9 de março de 1916, foram mobilizados militares do todo o país para a frente europeia, o “Front”. As trincheiras francesas foram guarnecidas com duas divisões.

No conjunto das três frentes de guerra foram mobilizados mais de 105 mil homens. Para Moçambique seguiram 20.423 a que se juntaram 10.278 moçambicanos. Para Angola 12.430 a que se juntaram 6.000 angolanos. Para França, com o C.E.P. e o C.A.P.I., seguiram 56.413 militares.

Foram vários os confrontos militares nas colónias, no entanto há que se referir que o maior número de baixas sofridas em Moçambique, cerca de 90% do total, foram provocadas por doença.

Em França as forças nacionais bateram-se especialmente em Dezembro de 1917, em março e abril de 1918. Ficou na História o registo do dia 9 de abril como o mais mortífero. O ataque alemão às trincheiras portuguesas e inglesas foi muito intenso e destruiu toda a possibilidade de defesa.

Neste período foram recrutados no concelho de Almeirim cerca de 150 jovens que seguiram para as três frentes.

No total morreram 7. Na frente francesa foram 5: António Nunes Pão Alvo e Francisco Jorge Boa Vida, de Almeirim; Manuel Coelho, da Raposa, ferido em combate no dia 13 de dezembro de 1917, faleceu no dia 16; José Fresco de Fazendas de Almeirim, morto nos bombardeamentos de dia 9, o mesmo acontecendo a  João Eleutério, do Convento da Serra. O soldado Francisco Boa Vida morreu com uma pneumonia dupla no campo de prisioneiros. O soldado João Eleutério foi dado como desaparecido na batalha de dia 9 de abril. Os bombardeamentos intensos das forças alemãs terão atingido diretamente a sua posição, tendo sido ferido gravemente, feito prisioneiro e morrido no dia seguinte, a 10. Em Moçambique faleceu de doença o soldado Manuel José e em Angola o soldado Alfredo Tainha, morto no combate da Môngua.

Penas de Prisão  

Penas de

Detenção

Presentes na Bat. La Lys  

Prisioneiros

de Guerra

 

Louvores

Não voltam de Licença Condecorado com a Cruz de Guerra de 4.ª classe
    17       47      38       13        6      5         1

No quadro acima indica-se a situação militar dos soldados de Almeirim integrados no C.E.P.

Acrescente-se que o soldado, promovido a 1.º cabo, José Guilherme, da Charneca de Almeirim, hoje Fazendas de Almeirim, foi distinguido com a Cruz de Guerra de 4.ª Classe por feitos em combate. O soldado João Bento, também de Fazendas de Almeirim, manteve-se no seu posto com a sua metralhadora, defendendo a posição até ser capturado.

Completando-se, neste ano de 2018, os 100 anos do Armistício, a 11 de novembro, que pôs fim à guerra, há que se destacar o esforço e o sofrimento dos soldados portugueses em defesa da Paz.

Eurico Henriques

Vereador

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