Da esquerda para a direita : Diplomacia

Que me perdoe o Sr. Presidente da República, quando pedia que a questão da Venezuela não fosse politizada, mas é impossível separar as águas quando o assunto é na sua génese uma questão inteiramente política.

Da direita à esquerda moderada rasgados elogios foram tecidos ao Governo português por ter assumido publicamente não reconhecer a Assembleia Constituinte na Venezuela. Ora, não tomou o Governo a única posição que um estado de direito deveria tomar?!

A alternativa seria no mínimo vexatória perante a comunidade internacional e irresponsável perante a comunidade portuguesa naquele país. Portugal tem o dever moral, histórico e social de ir muito mais além. Demasiada cautela é inoperância. O Governo já viu tempo suficiente para avançar no plano de contingência para a retirada daquele país dos portugueses que o quiserem.

Portugueses como nós, mas que vivem uma vida de miséria, opressão e insegurança. Já viu tempo de operacionalizar e agilizar os processos de nacionalidade, equivalências escolares e de reforçar os programas de apoio directo. Independentemente das negociatas socráticas de PC Magalhães que possam ter existido e outros acordos estabelecidos, esta é uma situação premente e não estão a ser accionados os meios necessários para ajudar a comunidade portuguesa lá residente.

É triste quando ouvimos tantos emigrantes portugueses ou luso-descendentes lamentarem que não se sentem representados pelo governo português. Intervenções gastas de diplomacia, nas quais o actual governo português é pródigo, não fazem desaparecer o problema.

Excepção seja feita ao Governo Regional da Madeira pelas suas posições e pelo trabalho desenvolvido. Pois também eu não me conformo com esta “diplomacia de pantufas” como bem lhe chama o meu amigo Rangel.

Nuno Fazenda – Inovar Almeirim

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