Capítulo 1 – O Clássico não é só vintage

A minha paixão por carros clássicos já tem muitos anos. Começou com o 2cv vermelho da minha mãe, o “bolinhas”, que é cheio de histórias e peripécias para contar, daquelas que aquecem o coração e fazem os olhos brilhar.

Hoje, de tão importante que me é, não o conduzo com medo de o estragar. Quando há já alguns anos conheci o meu maior amigo para a vida, o Júlio, o primeiro convite para sair que me fez foi para fazermos um picnic no Alentejo, partindo de Lisboa. Quando desci, vi um mini de 1982, tão bem cuidado que parecia que tínhamos voltado à época deles. O Júlio conta que quando o pai lhe comprou o carro, por influência do seu tio João Pedro, o mini era um “caco velho”, enferrujado e quase parado. Durante a viagem para o picnic assustei-me por várias vezes com pessoas a apitarem ou a fazerem sinais de luzes e eu sem perceber o que se passava.

Eram apenas outros amantes de clássicos a concordarem com a beleza do carro. Não tinha noção da interação que existe entre as pessoas quando um clássico anda na estrada, não tinha noção que fazer viagens neste tipo de carro é arriscar ficar a pé e “perder” tempo. Aquela, foi a minha primeira viagem no carro que nos levou à Córsega. Desta vez não pensámos muito. Faltavam duas semanas para as nossas férias e, como sempre, queríamos uma aventura… Fizemos contas e percebemos que iríamos gastar o mesmo ou menos do que se fôssemos para o Alentejo ou Algarve (obviamente fazendo alguns ajustes nas refeições e não comprando nada supérfluo). O Júlio já tinha ido há dois anos com o mini ao Mónaco e não tinha havido nenhum problema mas era inverno, o que facilitou.

Estudámos percursos, horas de viagem e tínhamos assente passar por Nice para visitar uns amigos. Falámos com algumas pessoas que já conheciam a Córsega, pedimos dicas, lemos blogs e em poucos dias já estávamos rendidos à loucura. Sempre inundados pela esperança, sabendo que o carro poderia ter problemas e podíamos até nem sair de Portugal. Arriscámos. Foi assim que a nossa viagem à Córsega começou.

Inês Chambel – Psicóloga

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