Mara Pimenta quer Diego Ventura para padrinho de alternativa

TAUROMAQUIA Entrevista de O Almeirinense à cavaleira praticante revelação da temporada 2018.

Com que idade começou o gosto pela tauromaquia?
Tenho dificuldade em responder a essa pergunta, mas acho que desde pequenina, com dois anos, já via corridas na televisão e dizia sempre à minha mãe: “Eu vou ser toureira”. (sorrisos). Desde que me lembro, eu sempre gostei. Não é uma coisa que venha de família, mas comecei a montar a sério com seis anos e foi até hoje… não parei mais.

Alguma vez pensou em ser cavaleira tauromáquica?
Sempre foi o meu sonho, isto é uma vida muito complicada e dizer é uma coisa, e conseguir ser é outra. Ainda não sou profissional, nem tenho alternativa mas um dia vou lá chegar, se Deus quiser.

E como está a sua quadra de cavalos?
Neste momento, tenho cinco cavalos a tourear comigo, que me acompanham todos os dias, para mim o melhor é um Munera com o nome Bigário, do ferro Meneses e a minha égua de saída é a Faena.

E quantas corridas?
Este ano não vou tourear muito. Fiz uma corrida em Espanha onde cortei duas orelhas. Depois fui ao Redondo com o Diego Ventura, um festival em Albufeira, a corrida da TV (ver caixa), Santana da Serra, São João da Pesqueira e um duplo compromisso no dia 8.

Esperava mais?
Este ano não, sou sincera, nem esperava tourear tanto.

O ano passado chegou a ter muito azar com cavalos?
Sim, morreram-me dois cavalos, o Girassol e o Guaraná.

O que pensa do estado da festa brava?
Não está fácil, mas não é só o estado da tauromaquia. As empresas não querem pagar aos toureiros e nós temos que dedicar 24 horas por dia a montar cavalos e treinar, fins de semana, comida, instalações, camião… tudo é um gasto e os empresários querem pagar pouco, pelo que é complicado.

“Posso não gostar, mas não sou contra, muito menos vou tentar impedir que isso aconteça. Para mim é ridículo. Acho que nunca vão conseguir chegar a lado nenhum” –
Mara Pimenta

E o que pensa dos anti-taurinos?
Sinceramente, eu não os entendo. Respeito que possam não gostar, como eu posso não ter tanto interesse por futebol … mas não sou contra. Posso não gostar, mas não sou contra, muito menos vou tentar impedir que isso aconteça. Para mim é ridículo. Acho que nunca vão conseguir chegar a lado nenhum.

Atualmente tem apoderado?
Não.

E pensa ter em breve?
Brevemente.

Que balanço faz da temporada?
Não toureei muito, mas as corridas que fiz correram bem. Principalmente a corrida RTP Algarve, deu-me boa projeção.

Falando desta noite especial no Algarve. Correu muito bem?
Foi uma das noites mais felizes da minha vida. Senti-me toureira e figura. Senti-me acarinhada pelo público e foi dos momentos melhores da minha vida.

Investiu muito para esta temporada?
Investi para esta como para as que passaram. Às vezes as coisas vão surgindo, mas esta vida é muito complicada e cada ano é um ano. Claro que nos esforçamos sempre na procura de alcançar o êxito.
Trabalhar muito no inverno, mas como eu disse, cada ano é um ano diferente e temos que agarrar as oportunidades e estar bem quando surgem.

“Não há união verdadeira. Cada um vai à sua e se calhar se todos nos uníssemos e chegássemos junto dos empresários e disséssemos “não toureamos por menos de x dinheiro” –
Mara Pimenta

Em sua opinião, existe união entre os toureiros portugueses?
Não, na minha opinião não. Temos várias reuniões na Associação dos Toureiros e muitos eu admiro e tenho muito respeito, mas sou sincera, não há união verdadeira.
Cada um vai à sua e se calhar se todos nos uníssemos e chegássemos junto dos empresários e disséssemos “não toureamos por menos de x dinheiro”, os empresários não tinham forma de continuar com isto para a frente.
Se nós tivéssemos as nossas regras, mas há sempre um que diz que vai, os outros também vão. Já tentámos fazer isso, mas depois não avança.

Devia existir um código?
Acho que sim, uma tabela, pelo menos, e não tourear por menos de x e depois não se pode exigir o mesmo dinheiro a todos porque cada um é diferente. Eu sou praticante, não posso cobrar tanto como um cavaleiro de alternativa.
Como também o Diego Ventura ou o Pablo Hermozo podem cobrar mais que qualquer outro porque são conhecidos a nível mundial e são dos melhores do mundo.

Devia existir uma tabela mínima?
Claro, pelo menos mínima.

Continua a ligação ao Diego Ventura?
Sim, ele vai ser sempre o meu maestro. Sempre vai ser a pessoa que me ensina tudo e tenho grande amizade por ele, por toda a família e continuo a dar-me muito bem com toda a gente mas achei que estava no momento de vir para a minha casa e estar na minha família também.

Ainda existe algum preconceito com as mulheres na festa brava?
Eu não sinto isso, sinceramente não sinto nenhum preconceito. Aliás, pelo contrário, por ser mulher sou mais acarinhada pelo público. Na parte dos empresários, não sinto nenhum tipo de machismo, já houve muitas toureiras, como a Sónia Matias, a Ana Batista, que abriram este mundo para as mulheres e eu também não sinto machismo.

A Mara onde atua tem sempre muito apoio e carinho do público?
Sim (sorrisos). Penso que sim.

Que pessoas a têm influenciado na sua carreira?
(sorrisos) O meu pai, o Diego Ventura, onde vivi cinco anos e toda a sua família.

Em que praça toureou e que a marcaram?
(pausa) Albufeira.

Já esperava essa resposta. Mas houve mais?
Salvaterra, Santarém, Montijo, Setúbal… já conto com algumas boas lides.

Há alguma ganadaria que tenha mais preferência?
Neste momento, Prudêncio ou Casquinha.

Qual o seu ídolo?
Diego Ventura.

Para quando a tão desejada alternativa?
Não é uma pergunta a que eu possa responder, porque a alternativa é algo muito importante na minha carreira e eu só vou tourear a minha alternativa quando me sentir preparada para dar esse passo. Eu não sei, pode ser daqui a um ano ou daqui a um mês. Pode ser daqui a três anos… eu não sei.

E gostava que fosse onde?
Campo Pequeno é a primeira escolha. (Pausa). Também gostava de tourear na inauguração da Arena D’Almeirim.

E a alternativa em Almeirim?
É a minha terra, não é?! Mas é uma terra que está a perder aficion. Já não leva gente à praça, não sei porquê mas o público não adere como antes. Não sei o motivo, mas perdeu aficion. É preciso construir cartéis que atraiam e não seja só para comer Sopa da Pedra.

Já tem em mente o padrinho que gostava de ter?
Diego Ventura, ou Rui Fernandes ou Luís Rouxinol.

O que deseja para o futuro?
Para o ano, eu espero tourear bastantes corridas em Portugal. Vou tentar continuar a tourear em Espanha, mas quero tourear cá. Mas mais que a quantidade, quero qualidade.

É apologista de tourear em praças desmontáveis?
Sim, sou, porque no início de temporada faz falta o Festival para rodar cavalos novos, faz falta para nós, que não toureamos no inverno, voltar ao ativo.
É como um jogo de futebol, antes de ir aos jogos a sério, temos que ir aos particulares.

 

 

Estreia
2012

A sua estreia aconteceu no dia 5 de maio de 2012, no Redondo. Mara nesse dia estava tão nervosa que diz nem ter visto a família, que estava na barreira.
Um dos momentos mais importantes, para lá da corrida RTP Algarve, teve um dia especial na Figueira da Foz, que terminou com o forcado – que pegou o novilho que Mara tinha lidado momentos antes – a beijar-lhe a mão, antes de iniciarem a tradicional volta à praça.

Madrinha
Confraria

A Confraria Gastronómica de Almeirim convidou a cavaleira Mara Pimenta para apadrinhar a candidatura às 7 Maravilhas à Mesa.
A jovem cavaleira aceitou e apelou à participação de todos neste concurso.

Mensagem

”Que lutem pela festa brava, que não deixem os anti-taurinos ou outros destruir a festa. Que venham aos toiros e desfrutem, não deixando morrer a festa brava.”

 

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