Vindima abaixo dos valores da campanha de 2017

As previsões de colheita para 2018 apontam para uma redução de 3% na produção de uva nesta campanha segundo dados publicados esta semana pelo Instituto do Vinho e da Vinha (IVV), o que situará a produção nacional nos 6,5 milhões de hectolitros de vinho, ainda assim um valor “muito próximo da média das cinco últimas temporadas”.

Há vários fatores a contribuírem para a redução da produção de vinho, entre eles está proliferação de doenças da vinha, como o míldio e o oídio, que encontraram condições privilegiadas numa Primavera e Verão muito húmidos apesar de ter acontecido um investimento significativo dos viticultores, em tratamentos fitofarmacêuticos para combater esta situação. Os agricultores registaram ainda um atraso no ciclo vegetativo das plantas, atrasando por isso um pouco o início das vindimas, havendo mesmo empresas a começarem só agora a apanha das uvas.

Mas o mais grave para a região do Tejo, foram os três dias sentidos de calor intenso no início de agosto, que queimaram grande parte das uvas, estimando-se uma quebra de produção na ordem dos 20%. Sobretudo na vinhas que se encontravam com menos folhas nas “paredes foliares”, que poderiam proteger mais as vinhas e nessas a quebra sentiu-se mesmo muito. Os cachos ficaram literalmente secos, queimados, sem hipótese de regeneração. Para as que sobreviveram, naturalmente mais protegidas e/ou, em vinhas com rega, espera-se que não tenha sido interrompido o crescimento vegetativo, com o bloqueio da circulação da seiva (sangue das plantas, por assim dizer), que é rica em nutrientes do solo como o azoto, o fósforo e o potássio, que é a garantia de sustento e crescimento da vinha.

Rita Conim Pinto, enóloga, garante que “não há vindimas iguais e todos os anos é um desafio para todas as pessoas envolvidas numa campanha vitivinícola, dar o nosso melhor, estar sempre muito atento, tentar contornar dentro das possibilidades as partidas climatéricas e nunca esquecer que a qualidade de um produto final, seja ele qual for, depende dum conjunto de fatores ao longo de todo o processo de produção”.

 

Com Rita Conim Pinto