“Acho intolerável é estarmos a perder tempo com guerras internas e as pessoas em risco de vida e a perderem bens” – 15 de agosto

Por estes dias só se tem falado do fogo de Monchique e com toda a propriedade. No entanto, há algo que me aflige.

Primeiro, enquanto jornalista, eu sempre defendi que se deve explicar o que se passa no teatro de operações. Era algo que podia ajudar populações e era um processo claro para quem tem que confiar nos bombeiros e/ou na polícia. Foi de forma propositada que aqui não falei na proteção civil.

Mas o que assistimos ao longo dos últimos dias foi algo que era impensável depois do que aconteceu em Pedrógão.

Acho intolerável é estarmos a perder tempo com guerras internas, com lideranças e as pessoas em risco de vida e a perderem bens. Primeiro apaga-se o fogo e depois conversa-se. Se fosse a casa de alguns senhores que estivesse a arder, já não era assim.

Pior do que ser burro é não aprender com os erros e Portugal demonstrou, infelizmente, uma vez mais, ser de pequena dimensão quando lida com as tragédias. E parece que não sou o único a pensar assim.

Joaquim Catalão escreveu nas redes sociais que foi Bombeiro Voluntário durante 13 anos na Corporação de Bombeiros Voluntários de Almeirim e combateu “fogos de Sul a Norte do País, uns maiores outros menores, uns em que a coisa foi por pouco, outros em que correu tudo muito bem. Por tudo o que passei na época e por respeito a todos aqueles que hoje combatem os incêndios que vão deflagrando no nosso País, não posso continuar calado a assistir à vergonha do que se está a passar na nossa comunicação social.

Vejo diariamente comentadores a falar de como se devia fazer o combate ao incêndio, comentadores que nunca estiveram numa frente de fogo e dá-se voz a esta gente que só serve para denegrir o trabalho dos operacionais no terreno sem terem moral para o fazerem, haja decência e respeito. BASTA!”

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