Da esquerda para a direita: Lapidar Património

A procura desenfreada por alterar o património, que se tem assistido no nosso concelho, é algo que, apesar de não me dever surpreender, continua a fazê-lo. Na incessante apresentação de “ideias” e “projectos”, verifico que a maioria deles prima por lapidar o património existente. Uma das últimas, e que agora foi anunciado/mostrado um “rosto”, é a requalificação do Mercado Municipal (A Praça). Local bem conhecido de muitos almeirinenses, e também onde muitas famílias , durante anos, garantiam o seu sustento.

Ora este anunciado “rosto”, trás consigo um 1º andar, que nada parece harmonioso com o restante edifício. Uma vez mais, e tem vindo a lume essas mesmas insatisfações, a população e os seus vendedores não foram tidos em consideração, pois não houve uma salvaguarda de como se irá gerir o uso do Mercado durante as obras do mesmo. Só me ocorre uma coisa para que isto não tivesse acontecido, não é ano de eleições e como tal não são votos, agora! Foi igualmente anunciado para este local, a transferência de vários serviços. Esses serviços serão para uso de toda a população, ou pelo menos assim deveria ser!

Dito isto, o meu pensamento leva-me ao seguinte, “então, estamos perante um envelhecimento da população e pensa-se em construir um 1ºandar. Das 2 uma, ou vai os serviços ou vai o mercado para cima!? E o acesso!? Será garantido a toda a população por escada ou elevador, escada rolante ou passadeira rolante? Quem perde?”. A mim parece-me que é claramente a população e o património. O Património do Concelho, já reduzido de construções marcantes, não se pode dar ao luxo, de permitir que se lapide o existente, em troca de por exemplo, estruturas megalómanas, como no “projecto” para o Jardim da República. A opção deveria ser sempre entre conservar e manter, em vez de destruir e alterar.

 

João Vinagre – CDS Almeirim

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