Da esquerda para a direita: Os professores são uma corja

Pois é, os professores são uma corja. Têm um horário flexível que não tem 35 horas, têm férias a toda à hora e, quando as aulas acabam, não fazem mais nada. É este tipo de afirmações que ouvem os docentes de qualquer um, porque neste país todos percebem de educação. Além disso, até se sente um certo “ódiozinho de estimação” contra a classe e parece que somos os culpados de tudo. É a desvalorização completa de muitas vidas dedicadas ao conhecimento e à sua transmissão.

O ministério de educação mantém um braço de ferro, não por razões educativas, mas pura e simplesmente por razões económicas. Os “fatos” sentados nos seus gabinetes não duravam uma semana na escola. Afinal quer se queira ou não, os professores são os que estão no terreno.

Contrariamente ao que se pensa os docentes não sobem na carreira apenas pela antiguidade. A última vez que mudei de escalão foi em outubro de 2004, há 14 anos. Sim, somos avaliados, tive uma boa “nota” e sei que faço tudo pelo sucesso dos meus alunos. No entanto, só mudarei quando houver vaga, pouquíssimas e anuais. Nesta situação estão milhares de docentes.

Quanto à greve, é necessária para acordar consciências. Os encarregados de educação entregam-nos os filhos de manhã e ficamos com eles dias inteiros. Alguns percebem o nosso trabalho e as suas agruras, outros apesar de nos confiarem os filhos não confiam em nós. Há que lutar contra isto. Como afirmei anteriormente, todos percebem de educação, mas poucos a vivem como eu e os meus colegas.

 

Maria José Dias – Inovar Almeirim

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