“É indiscritível ver como as personagens ganham vida e forma…”

Vânia Silva é uma mulher de números, formada em Economia, que viu na escrita uma escapatória para o fim do seu casamento. Natural de Fazendas de Almeirim, editou recentemente o primeiro livro.

Como e quando surgiu o gosto pela escrita?
Engraçado esta pergunta pois sou formada em economia e como tal uma mulher de números. Ao longo do meu percurso académico sempre acreditei, talvez um pouco por imposição também, que era talhada para as matemáticas e não para as letras. Contudo sempre gostei de escrever e desde muito nova que adorava escrever poemas. Penso que esse gosto sempre o tive, apenas precisava de um impulso para ganhar mais força.

Que influências familiares ou de amigos teve?
Tive apenas a influência indireta de uma amiga que escreveu um livro, contudo num tema diferente deste que escrevo. Ainda assim, achei o seu feito um ato de coragem e decidi começar então a pôr no papel aquilo que me ia na mente, de uma forma estruturada e com todos os ingredientes que gosto de ler num livro: a ação desenrola-se a bom ritmo, não saber à priori o que vai acontecer nos capítulos seguintes e a utilização de uma linguagem simples e acessível a todos.

No início guardava os textos e não os mostrava?
Quando eram apenas excertos sim, mas depois a vontade de saber a opinião de terceiros acabou por falar mais alto.

Qual era a reação de quem lia?
Para ser sincera nem sempre foi muito boa. Gostavam da escrita, da forma como estruturava as ideias e os prendia à história, mas achavam-na demasiado forte e chocante. Talvez por isso tenha demorada algum tempo a ter coragem de partilhar este conto com o mundo.

E a “Idade das Trevas” como surge?
A “Idade das Trevas” surge num momento mais delicado da minha vida, no final do meu casamento. Acabou por ser um escape, se bem que para mim, já é uma história muito antiga na minha cabeça. Excertos apenas, que depois fui agrupando e construindo uma narrativa que me fez todo o sentido. Contudo, foi nesse momento que ganhei coragem para pôr no papel as minhas ideias e foi uma sensação única de realização, conseguir encontrar as palavras certas para transmitir aquilo que estava na minha imaginação.

Quem é a Ária?
A Ária é uma jovem que vive na Idade Média. Como todas as jovens da sua idade pensa num futuro casamento. Porém o local onde habita é uma pequena aldeia onde não existem muitas opções. Quando ela conhece o Eros apaixona-se perdidamente, acabando por se entregar a ele. Naquele tempo, uma donzela que deixasse de ser virtuosa sem um casamento prévio era sinónimo de condenação e a Ária acaba por pagar um preço alto pelo seu ato.

E o Eros?
Eros é um jovem ambicioso e enérgico, aspirante a cavaleiro. Troca juras de amor com a Ária, antes de seguir para a batalha, prometendo-lhe regressar para casar com ela. Contudo tal não acontece e é precisamente aí que começa a história, quando a Ária se apercebe que o seu amado não irá retornar e que, por isso, ela está perdida.

Que relação há entre a Ária e a Vânia?
Costumo dizer que não tenho muito a ver com Ária, até porque este conto passa-se na Idade Média. Contudo, creio que damos sempre algo nosso às personagens que imaginamos e eu não serei exceção. Penso que partilhamos a mesma vontade de acreditar no amor, mas não perdendo o foco da realidade. Contudo o fosso temporal entre nós faz com que exista grande disparidade nas nossas histórias de vida.

É fácil construir uma personagem?
Não digo que seja fácil ou difícil, para mim é algo que me fascina. É indiscritível ver como as personagens ganham vida, ganham forma e consistência por si próprias. Ao longo do conto vão surgindo vários homens que se envolvem com a protagonista. Creio que seja muito interessante ver cada um deles a ganhar conteúdo. Ao início é apenas sexo, mas depois começam a despontar alguns traços do seu caráter, mostrando um lado mais vulnerável. Até porque, ninguém é apenas sexo, e muitas vezes nós mulheres temos essa visão dos homens.
Curiosamente, o mais difícil para mim é dar-lhes nome. Essa parte é sempre o cabo das tormentas.

Quem estiver interesse em comprar o livro como o pode fazer?
O mais fácil será fazer uma encomenda diretamente no site da editora nos seguintes links. Livro: https://www.artelogy.com/pt/store/na-freya-idade-das-trevas Ebook: https://www.artelogy.com/pt/store/idade-das-trevasde-na-freya
Contudo podem fazer um pedido de cliente (encomenda) nas lojas Bertrand, Almedina e Porto Editora, mas para tal é importante terem o nome do livro “A Idade das Trevas”, o meu nome de autora N. A. Freya, o nome da editora Artelogy e o ISBAN 978-989-8910-82-0

Qual o próximo objetivo?
Inicialmente objetivo seguinte seria continuar a escrever contos eróticos, até porque tenho ideias para vários contos do género em outras épocas históricas: século XVII, Anos 20 do século passado e até mesmo na atualidade. Contudo, as críticas à “Idade das Trevas” têm sido muito positivas, ao ponto da maioria das pessoas querer uma continuação, pois sentem que há mais história para lá do final. Confesso que não era essa a minha intenção até porque imaginava o conto assim e não me via voltar a pegar nele. No entanto acabei por me contagiar com todo esse entusiasmo e vai realmente haver uma continuação que inclusive já está escrita, mas a sua divulgação ficará para mais tarde.