Banalização da vitória

Assistimos anualmente, entre os meses de abril e julho, sensivelmente, a um desenrolar de notícias sobre campeões de todos os escalões e géneros, sejam distritais, sejam regionais, sejam em provas de calendários oficiais, sejam nacionais e internacionais.

A “pressão mediática” de divulgar todas e quaisquer vitórias, e neste ponto, contra mim falo, enquanto dirigente da Secção de Ténis da Associação 20kms de Almeirim, leva-nos, a médio e longo prazo, a banalizar a vitória.

Se a conquista de títulos e troféus regionais e distritais deve, obviamente, ser alvo de menções noticiosas, deve existir, no entanto, um maior cuidado no tratamento de todas e quaisquer informações e feitos desportivos, adequando o espaço e o destaque à importância da conquista.

A primeira prioridade do sistema desportivo de Almeirim deve ser a de fomentar a prática desportiva da sua população e a de garantir uma representação regular do concelho em competições, mostrando a sua dinâmica desportiva, e não entrar em competições de troféus e títulos (de nível 1, 2 ou 3, de escalão A, B ou C), que no fundo não são mais do que competições de “likes” no Facebook.

Ora, esta banalização da vitória pode também confundir os parceiros privados e poder político, que, não tendo um filtro de diferenciação, não distinguem, por exemplo, participações em primeiras ligas nacionais ou em competições internacionais ou conquistas de campeonatos nacionais, de competições de nível inferior pelo país, prejudicando assim o desenvolvimento das participações ao mais alto nível.

A prática desportiva é, em primeiro lugar, uma forma de manter a sua população saudável, em segundo, uma forma de promover uma escola de valores, e só mais para baixo na lista vem a conquista de títulos. Os exemplos nacionais a que vamos assistindo não começam do nada, e a inversão destas prioridades prejudica todos aqueles que vêem no desporto uma forma de se desenvolverem.

 

Miguel Dias – Dirigente TénisAlmeirim

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