Quem é Rui Figueiredo?

FIGURA Rui Figueiredo é um dos principais responsáveis da Confraria Gastronómica de Almeirim. Um apaixonado pelos usos e costumes da terra.

Se tiver que se apresentar, quem é o Rui Figueiredo?
Um almeirinense (nascido e criado) que gosta muito da sua terra, que adora toda esta “maneira de se ser Ribatejano”, aficionado e um apaixonado por gastronomia.

De onde veio o gosto pela gastronomia?
Este gosto existe desde que me lembro, sempre gostei muito da cozinha tradicional.

Sabe melhor degustar ou cozinhar?
Gosto de ambos, mas se puder ser, prefiro degustar sem cozinhar.
Para quem não tem formação nesta área é, muitas vezes, a degustar que se aprende a conjugar os alimentos e os sabores, pois embora prefira a cozinha tradicional, gosto de acompanhar a evolução da mesma.

Qual foi o primeiro prato que fez?
Em casa dos meus pais só mesmo ovos estrelados, sou um sortudo, pois no seio da família estive sempre rodeado de excelentes cozinheiras.
Por isso, só com a entrada na confraria (2004) é que comecei a dedicar-me à cozinha e passado algum tempo fiz a minha primeira Sopa da Pedra.

Qual foi a reação de quem provou?
Gostaram, mas hoje verifico que estava muito aquém da que fazemos hoje.

Qual o prato que mais gosta de comer?
Gosto de tudo, mas prefiro a cozinha tradicional. É nesses pratos fortes que me trazem sabores e as memórias de outros tempos, que me sinto “em casa”, acompanhados de um bom vinho do Tejo. Os brancos “de Almeirim” são a minha perdição.

E petiscos?
Tripas assadas e caracóis, são dois dos meus preferidos.

E quando é que fez pela primeira vez Sopa da Pedra?
Há já alguns anos, na confraria, juntamente com mais alguns confrades ensaiámos a primeira de muitas.

E o que achou quem comeu?
Comeram vários confrades e amigos, e gostaram. Mas hoje e tantos litros depois, está definitivamente melhor.

Acertou nos condimentos?
Nem sempre, confesso, pois normalmente fazemos muitos litros (panela para 100 ou 150 pessoas) e, uma vez, alguns confrades confessaram nunca ter provado a sopa da pedra feita pela CGA, como tal, combinámos e na nossa sede fiz uma Sopa da Pedra (panela para 20 pessoas) e troquei as colheres de pimenta (de sobremesa por colher de sopa), ficou um nada picante, era ver a rapaziada a “afinar a garganta”.

Todos os elementos da Confraria gostam de sopa de pedra? Mas nem todos sabem cozinhar?
Sim, todos gostam, aliás, é condição para aderir à CGA. Na cerimónia/ato de entronização, todos têm de comer Sopa da Pedra.

Quem come mais?
Comemos todos, mas temos ali uns magrinhos que enganam bem.

Estão com mais peso desde que são confrades?
Alguns sim, mas julgo que é natural pois a cozinha tradicional é, maioritariamente, composta por pratos fortes, uma comida de “sustento” para quem realizava trabalhos pesados.

Nos seus tempos de juventude, como se divertiam os almeirinenses?
Era tão diferente. Tão diferente dos tempos do meu pai, o tempo em que não havia nada e sabia fazer-se de tudo.
No meu tempo, havia pouco e tínhamos de fazer alguns brinquedos, brincávamos na rua, íamos ao cinema, mais tarde com a carta e carro fazíamos “um carreiro” para o Cartaxo, depois, ao abrir o QB e Almeirim virar capital da noite, tudo acalmou.

Quais as maiores mudanças na cidade?
A cidade cresceu muito, hoje temos muitos equipamentos. Passamos a ser a capital da Sopa da Pedra e a ter um turismo Gastronómico de muita importância para a restauração e economia local. Hoje, penso que já passámos de Capital da Sopa da Pedra a Capital Gastronómica do País, pois deve ser difícil encontrar outra terra com esta capacidade de servir, quer em números de lugares sentados, de estacionamento, refeições servidas. E esta centralidade que leva cada vez mais as pessoas a organizar a viagem no sentido de fazerem a refeição em Almeirim.

Se fosse presidente da autarquia, qual a primeira obra que fazia?
Neste momento, temos muitas obras importantes que se encontram anunciadas e “prontas” a iniciar. Mas o Mercado “é a minha obra”, pela beleza do edifício e pela sua função, seria a minha aposta. Os produtos que ali se vendem, a sua associação à gastronomia, as lojas ligadas à restauração, uma praça central com esplanada interior e os serviços que se propõem na anunciada intervenção. Tudo junto, transformariam o mercado num local de “romaria” onde todos os que ali estão e os que vierem a ali instalar-se, ganhariam com toda essa complementaridade. Ganharia toda a zona e ganhava Almeirim com este renascer do mercado. Seria certamente um sucesso, como podemos verificar em tantos mercados existentes pelo país fora.

À LUPA

Nome: Rui Manuel Agostinho Figueiredo
Data de nascimento: 15/09/1970
Profissão: Desenhador/projetista
Hobby: Gastronomia & vinhos

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