Adega Cooperativa de Almeirim: Manuel Gabirra garante que os próximos 60 anos estão assegurados

ANIVERSÁRIO A Adega Cooperativa de Almeirim está a festejar 60 anos. O volume de negócios é de 14,15 milhões de euros e as exportações chegam a um milhão. Há 180 sócios e perto de 40 funcionários.

A adega cooperativa de Almeirim está a festejar os seus 60 anos. Como resume a história mais recente?
É muito difícil, porque uma história destas não pode ser vista como uma história recente. Tem que ser vista como uma história com 60 anos, uma história difícil, de grande sacrifício, de muitas centenas de sócios que passaram por esta casa e dignificaram o nome da adega e o nome de Almeirim. É uma história de facto um bocado difícil. Pela experiência e pelos anos que tenho como sócio e idade, eu tenho mais ou menos uma ideia daquilo que foi a adega e o seu sacrifício. Recordo-me, quando tinha 18 anos, foi quando a adega aqui foi inaugurada. Tenho 68 anos e foi quando tinha 18 anos, não me esqueço porque foi o ano em que estreei uma furgoneta que o meu pai comprou, uma Peugeot, e fiquei com isso na memória. Então é difícil descrever mas, felizmente, com muito sacrifício e várias direções que passaram por cá e fizeram tudo o que tinham e não tinham para dignificar Almeirim, a história continua.

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Qual a situação financeira, atualmente?
A adega, neste momento, respira saúde financeira. Não tem dinheiro a mais, tem um fundo de maneio onde os sócios podem estar descansados com a forma como se tem trabalhado e a maneira como têm corrido as vendas do vinho. A situação financeira está estável e boa. Temos programas de pagamentos aos sócios que, se não houver contratempo nenhum, as coisas são feitas na hora, está tudo normal. Onde entra a internet neste processo, nota-se que estão a apostar mais online. Lançámos um site com vinhos online, que tem pouca expressão. Mas é bom ter, porque esta casa tem de estar sempre na vanguarda em todas as situações, quando acontece uma novidade, a adega tem de ter sempre essa novidade. Temos de acompanhar sempre a inovação e os tempos.

Hoje a situação é estável, mas houve há uns tempos grandes dificuldades?
Houve, porque, lá está, porque há história, com muito sacrifício e muitas dificuldades , porque não é só a adega cooperativa, mesmo ao nível dos governos ao nível do país há altos e baixos, há alturas melhores e alturas piores. Isto mais ou menos resume-se à mesma coisa: há anos que se vende melhor, outros que se vende pior os vinhos. Quando não se vendia os vinhos engarrafados, tínhamos de estar sujeitos à lei do mercado, que era acompanhar os preços de vinho a granel. Hoje a Adega tem uma situação em que três quartos da colheita é vendida engarrafada, e isso é uma mais-valia, porque já fazemos contas desse dinheiro.

A Adega de Almeirim é um dos maiores produtores do país?
É sim, o primeiro ou o segundo do país, penso que é São Mamede e Almeirim.

A qualidade também está ao nível das melhores?
Exatamente, porque o caminho por onde nós enveredámos foi o caminho da qualidade. Tive aqui um presidente, e não me canso de dizer, ele tinha uma frase que acho que era interessante, “uma vez que o nosso topo de gama é o Varandas, quando a gente chegar a ter o Lezíria equiparado ao Varandas é quando a gente está bem”. Portanto, a inovação da adega é sempre nesse sentido, ter a qualidade cada vez melhor e trabalhamos para isso, porque os vinhos têm uma qualidade excecional, não é a direção a dizer, verificamos isso porque vamos a concursos e ganhamos medalhas de ouro por isso o vinho tem de ter qualidade.

A modernização das instalações foi há quanto tempo?
A modernização foi por duas fases: uma fase há 30 anos com outra direção, que lançou as primeiras linhas de engarrafamento, e ainda bem que lançou, e depois a partir daí, nós continuamos sempre a inovar, a progredir e a tentar fazer melhor. Claro que não pode fazer-se tudo de uma vez, porque é preciso fazer investimentos e arranjar dinheiro para pagar aos sócios, tudo ao mesmo tempo.

O espaço tem margem para continuar a crescer e a modernizar-se?
Tem, sim senhor, muito ainda, as obras, os depósitos. Temos uma capacidade de praticamente 10 milhões de litros, tudo em inox, os depósitos da adega estão todos praticamente pintados a epoxy. Não se pode fazer vinhos de qualidade, se a gente não tiver capacidade para pôr o vinho lá dentro.

Qual é o prazo, atualmente?
Nós temos um plano de pagamento: de três em três meses, damos um abono. Portanto, ao fim de um ano, praticamente, temos a liquidação total.

Isso também dá benefícios, dá mais condições aos agricultores?
Exatamente, porque o sócio sabe que no mês de janeiro recebe, no mês de março recebe, no mês de julho recebe, no mês de setembro recebe e depois a liquidação em março.

Os prémios têm sido uma constante. É o reconhecimento do vosso trabalho?
É o reconhecimento de muito trabalho. É o trabalho da enologia . É o trabalho das analistas. É a equipa toda, porque não se pode plantar coisas boas, não se pode dedicar-se só a essa coisa boa. Lá está a tal coisa: a qualidade das uvas é que faz vinho bom.

Almeirim tem apostado na imagem da caralhota e da sopa da pedra. No vinho está a fazer-se o necessário para se promover o setor, ou ainda se deveria fazer mais uma bocadinho?
No fim nunca chega, há sempre coisas a fazer. Portanto, mesmo que nós pensemos que estamos realizados na vida, há sempre uma coisa qualquer que se tem de fazer mais. Portanto, essa parte do fim nunca chega lá. A Adega tem feito muita coisa para lançar os vinhos, especialmente regionais, que são vinhos que são muito difíceis de ser lançados em grandes quantidades, pois há grande concorrência. A Adega não se pode comparar com uma empresa qualquer aqui da região, porque a Adega tem 20 milhões de litros e 20 milhões de litros não se compara a 1 milhão de litros ou 200 mil garrafas. A Adega tem 25 milhões de garrafas. Isso quer dizer que vai-se fazendo o que se pode e vai-se apurando o melhor que se pode. Vamos lançar “o cacho fresco” para exportação como vinho regional. É um caminho que já se está a fazer, o vinho de mesa “o cacho fresco”. Uma grande superfície, das maiores superfícies do país, já pediu que o vendêssemos como vinho regional, dito por eles que é um vinho que criou uma marca e um nome, “o cacho fresco”, que está sempre vendido.

Compraram agora uma carrinha promocional…
Nós comprámos uma carrinha que vai visitar as feiras, como a de Santo António, São João. Vai visitar as melhores feiras do país, para dar a conhecer os produtos. É um investimento que vai dar nas vistas. Penso que vai dar a conhecer os produtos. Os produtos hoje não são conhecidos por algumas pessoas, mas vão lá beber o vinho e ficam a conhecê-lo. O transporte tem as condições para transportar o vinho, tem arca frigorífica, tem “umas meninas bonitas” a servir, tudo isso cativa.

Acredita que a Adega de Almeirim tem os próximos 60 anos assegurados?
Eu penso que sim. Nós estamos numa zona que quando morrer a agricultura e quando morrer o vinho aqui nesta zona, ao nível do país inteiro, acabava o vinho, praticamente. Pouco há noutros locais vinho… há no Douro, no Alentejo… Mas esta zona é muito forte! Nós temos condições para seguir por muitos mais anos.

História

No coração do Ribatejo, em 1958, nasceu a Adega de Almeirim – uma das maiores adegas cooperativas de Portugal. Com 1200 hectares de vinha, produz anualmente 20 milhões de litros de vinho, sendo um dos maiores produtores a nível nacional.

Atualmente conta com a colaboração de 195 sócios, acompanhados regularmente pelos melhores técnicos, que conferem um maior controlo sobre as vinhas e a sua matéria-prima. Com critérios bastante exigentes e sem margem para desperdícios, o sucesso do vinho da Adega de Almeirim depende do duo fundamental entre os sócios produtores e os enólogos, que se unem para criar os melhores vinhos produzidos em solo ribatejano.

Sempre com o olhar no futuro, a Adega passou por um grande processo de modernização que marcou um investimento notável em equipamento, em linhas de enchimento que aumentaram a capacidade de produção, prensas pneumáticas, filtros de vácuo, entre outros, com o objetivo de melhorar a qualidade dos vinhos e dar resposta à sua procura. Os antigos depósitos e tonéis de cimento, ainda existentes na adega, deram lugar às cubas de aço inoxidável, sistemas de refrigeração e pipas de carvalho francês e americano, que conferem um melhor envelhecimento do vinho.

A capacidade de produção de vinhos de gama média e média alta tem sustentabilidade nos mais inovadores processos de produção, onde todos os vinhos são fermentados com as melhores temperaturas de fermentação, controladas por uma moderna rede de frio. A Adega conta ainda com um laboratório plenamente equipado, dirigido por uma equipa de enólogos e engenheiros amplamente qualificados.

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