Da Esquerda para a Direita: Escola

Quase a comemorar 44 anos da revolução dos cravos, é bom recordar que uma das grandes conquistas alcançadas foi “a escola para todos”. Em 1979, tinha eu 15 anos, terminava com sucesso o 9º ano. Para continuar a estudar tinha que sair da minha terra e ir para Santarém, algo que fiz a muito custo e com dificuldade porque pelo caminho ficou uma grande parte dos meus amigos, cujos pais não tinham possibilidades de suportar o custo de um filho a estudar em Santarém. Da minha turma do 10º ano, recordo que tinha colegas de todos os concelhos a Sul do distrito de santarém, porque nesta altura não havia ensino secundário nestas localidades. As minhas colegas de Samora Correia e Benavente tinham que ficar, durante toda a semana, numa residencial para estudantes, eram outros tempos! Em 1986, entra em funcionamento a Escola Secundária Marquesa da Alorna, o que veio permitir que os nossos jovens pudessem estudar no concelho até ao final do secundário. Foi daqui que saíram alunos que hoje são médicos, advogados, gestores, militares, etc., e que levam o nome de Almeirim por todo o mundo. A comemorar o 44º aniversário do 25 de Abril, registo com grande preocupação a saída de alunos do nosso concelho para o concelho de Santarém, cada vez mais em maior número e cada vez mais novos (a partir do 5º ano). A redução do número de alunos, tanto pela via da diminuição da taxa de natalidade, como por opção dos pais, mais tarde ou mais cedo refletir-se-á no fecho de escolas. Espero que, no futuro, não tenha que assistir novamente à saída dos nossos jovens do concelho por não haver resposta local para completarem os seus estudos.

 

Joaquim Catalão – PS Almeirim