“As pessoas mais velhas são um trunfo nas sociedades”

SENIORES Josep de Martí foi convidado no III Congresso de Inovação Social e Envelhecimento organizado pela Rede de Universidades Seniores.

Quais são os principais desafios que se enfrentam quando se tem mais que 65 anos?
A verdade é que a partir dos 65 anos ainda há muitos anos de vida. A ciência encarregou-se que explicar que muitos vão conseguir chegar aos 90, ou até aos 100 anos. A ciência têm-se encarregado de dar mais anos à vida. Então quando falamos de envelhecimento ativo há uma responsabilidade pública mas a responsabilidade de cada um é a de tomar responsabilidade e pensar que se queremos chegar mais longe, nós temos que ter uma vida ativa.
Uma parte disto depende da sociedade, mas outra depende de cada um para ter uma vida mais ou menos sã, uma vida social e relações positivas com família/amigos ou quem está em nosso redor podemos e devemos fazer um pouco de exercício, comer bem e cuidar-se bem.

Acha que Portugal está preparada para a 3.ª idade?
Há uma parte que não controlamos , que é a parte genética. Vivendo aqui em Portugal, consegues viver mais anos que alguém na Rússia, por exemplo, mas isso deve-s à alimentação, à actividade física e as relações sociais, foi o que se descobriu que dá mais qualidade de vida, está comprovado isso.

O que falta fazer ainda mais?
Se falamos da parte da parte das administrações, poderes públicos, parlamento europeu … recordo que o ano europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre as Gerações assinalou-se em 2012. Há uma responsabilidade das administrações públicas que é fomentar, promover um bom investimento.
É importante as administrações públicas garantam que as pessoas maiores tenham recursos económicos mínimos, um sistema de saúde estável e que, depois, as cidades sejam amigáveis.

A Rutis tem um papel importantíssimo, e eu não sei se estão conscientes os próprios portugueses, do privilégio de ter a Rutis

Josep de Martí – Especialista em envelhecimento

 

Como classifica e caracteriza a formo como a sociedade olha para os idosos?
A sociedade olha de forma um pouco peculiar e contraditória porque, por um lado, se está a ver que as pessoas mais velhas são um trunfo para as sociedades mas, por outro lado, são vistas como um problema.
So um pais que triunfou socialmente consegue que 20% da sua população chegue aos 65 anos ou mais… isso é um trunfo. Só consegue um pais que exista paz, prosperidade económica.
Por outro lado, uma vez que chegamos a esta situação, vemos que os mais velhos são um problema: Gastam muito em pensões, que gasta muito em saúde…
A sociedade o que tem que ver é que ter muita gente mais velha é uma vantagem.
Há que tentar que toda a sociedade crie um modelo para todas as idades em que alguém com 80 anos seja positivo e valioso para a própria sociedade. E isso pode conseguir-se.

Acha que a Rutis tem um papel importante nesta área?
A Rutis tem um papel importantíssimo, um papel, e eu não sei se estão conscientes os próprios portugueses, do privilégio de ter a Rutis.
Esta é a entidade que do seu tipo é a mais potente do mundo. É a entidade que proporcionalmente reúne mais pessoas em mais universidades em mais pontos. É um privilégio ter muitas cidades e o povo mais pequenos uma sede da Rutis, onde pessoas seniores possam formar-se e não ser vistas apenas como pessoas que recebem da sociedade mas também dão.

Como classifica este trabalho?
É fabuloso. Como estamos numa sociedade que se valoriza as evidências cientificas, agora eu sei que se vão apresentar resultados desse estudo que se vão fazendo pela própria Rutis sobre como melhora a saúde, como as pessoas que estão associadas à Rutis diminuem o consumo de medicamentos e outra coisa importantíssima: o acesso a novas tecnologias.
É o que se chama o analfabetismo tecnológico. Graças à Rutis, em Portugal, há pessoas que com mais de 50, 55 ou 70 estão a ter acesso à tecnologia.
Entrar na internet e ser ativos na internet é a base de progresso económico de qualquer pais actualmente.

No seu entender, a Rutis é do melhor que há na Europa e no Mundo?
Sim, mas não é só no meu entender. Eu sou muito frio e científico. Não há outro país que tenha uma rede de universidades para pessoas maiores tão extensa, tão grande como têm vocês em Portugal.  O que lamento é que exista a fronteira e que não se estendam até Espanha ou norte da Europa porque é algo que se tem existido aqui … pode ter êxito em qualquer outro país.

Estudo – Universidades seniores

A RUTIS está a elaborar um estudo sobre o impacto que a frequência das universidades seniores tem na vida dos seniores que a frequentam. Este estudo, que engloba um questionário a 1100 alunos, é feito simultaneamente em Portugal e numa das universidades seniores da RUTIS no Brasil. Os resultados preliminares, quando já estão analisados 480 inquéritos, indica claramente que as universidades tem um impacto muito grande na perceção da saúde por parte dos seniores. Destes 48% indicaram que a sua saúde melhorou após andar na universidades sénior e 23% indicou que reduziu o número de medicamentos para a ansiedade e para dormir que tomava anteriormente. Outro grande efeito da frequência da universidade sénior é nos conhecimentos de informática, se antes de entrar na US 44% dos seniores diziam ter poucos ou nenhuns conhecimentos de informática, este valor baixa para 6% depois de frequentar estes estabelecimentos. O que prova que as universidades seniores combatem de forma muito eficaz a iliteracia digital. O estudo vai continuar e esperamos obter resultados mais conclusivos dentre de 1 ou 2 meses.

Objetivos – Academias e Universidades

As Academias e Universidades Seniores (US) são “ como respostas socioeducativas que visam criar e dinamizar regularmente atividades nas áreas sociais, culturais, do conhecimento, do saber e convívio, a partir dos 50 anos de idade, prosseguidas por entidades públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos”.

O que é a Rede de Universidades Seniores (RUTIS)

A RUTIS (Associação Rede de Universidades da Terceira Idade) é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) e de Utilidade Pública de apoio à comunidade e aos seniores, de âmbito nacional e internacional, com sede em Almeirim, criada em 2005. Tem um pólo no Porto (Academia RUTIS Porto). A RUTIS tem actualmente 305 UTIs como membros, 45.000 alunos seniores e 5.000 professores voluntários nas universidades seniores. A importância social da RUTIS e das Universidades Seniores foi reconhecido oficialmente pela Resolução de Conselho de Ministros nº76/2016 de 29 de Novembro de 2016.
A RUTIS é composto por uma Direcção, Assembleia Geral e Conselho Fiscal. O orgão regulador das Universidades Seniores é o Conselho Geral composto pela US da Nazaré (Presidência), US D. Sancho I de Almada, AS do Fundão e US de Gondomar.
Os principais objectivos da RUTIS são a promoção do envelhecimento activo e a valorização das Universidades Seniores (denominação registada, pela RUTIS, como Marca Registada no Instituto Nacional de Propriedade industrial) sendo estas “a resposta social, que visa criar e dinamizar regularmente actividades sociais, culturais, educacionais e de convívio, preferencialmente para e pelos maiores de 50 anos. As actividades educativas serão em regime não formal, sem fins de certificação e no contexto da formação ao longo da vida”. A RUTIS é membro de diversas redes nacionais e internacionas e é a única instituição nacional com acordo com o estado para a promoção do envelhecimento activo. Ver prémios e distinções da RUTIS. A RUTIS é constituida por uma Assembleia Geral, Direcção e Conselho Fiscal.

 

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