Casa das Caralhotas há sete anos em Almeirim

ANIVERSÁRIO A Casa das Caralhotas abriu a 1 de abril de 2011 e o proprietário Amílcar Dias, faz um balanço extremamente positivo.

Que balanço é que faz destes 7 anos?
À partida, até hoje é positivo, porque pelo menos vai dando para sustentar algumas pessoas que aqui trabalham.

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Quantas pessoas é que trabalham nesta casa?
Neste momento somos 6, ou seja, nós e as famílias. Como os impostos cada vez são mais, vai dando tudo à conta, mas vai dando para desenrascar.

No início não esperava que o crescimento fosse assim, ou já tinha essa perspetiva?
No início não, porque quando vim para aqui a casa estava muito parada, mas ao longo dos anos consegui refazê-la e estou a conseguir mantê-la e como é um sítio que abrange vários restaurantes, pensei que iria conseguir ter êxito. Por outro lado, quanto mais escolha há, mais pessoas traz e aqui é também uma zona muito turística porque vêm cá muitas excursões e quando os restaurantes estão cheios acabam por vir comer outra coisa e depois vêm-nos também visitar aqui.

Quando abriu, quantas pessoas empregava?
Quando abriu era só eu e mais duas senhoras, ou seja, só havia duas empregadas. Neste momento são cinco empregadas e eu.

Duplicou?
Exato, e espero que se consiga manter assim. Como os dias de hoje estão difíceis, vai ser muito complicado porque isto é uma zona muito parada no inverno, por isso temos que trabalhar no verão para nos conseguirmos manter no inverno.

É uma mais-valia estar localizado nesta zona, no coração da cidade?
Sim, é uma mais-valia porque como acabei de dizer, é aqui que param as excursões todas, e até as pessoas mais velhas chamam a isto Troia, e é normal que parem aqui as excursões porque isto tem uma fama muito grande por causa da sopa da pedra e vem tudo aqui parar.

Não é daqui de Almeirim, pois não?
Não, sou de Cortiçadas de Lavre, que pertence a Montemor-o-Novo, mas vivi em Coruche 30 anos.

Já conhecia Almeirim?
Sim, já conhecia Almeirim.

E o que é que o fez vir apostar num negócio em Almeirim?
Eu em criança trabalhei uns anos num café e salão de jogos, que na altura era o maior café de Coruche, o café Tadeia Limitada, depois fiz a tropa, acabei por arranjar outro emprego e, mais tarde, como sempre tive interesse por isto e sempre pensei ter um estabelecimento meu, acabei por vir aqui parar.

Já estão em curso, nesta altura, as obras na praça, mas há ainda um projeto muito maior para esta zona que ficará bastante diferente do que aquilo que é hoje. Isso será também algo que vai beneficiar aqueles que já aqui estão e aqueles que surgirem, entretanto?
Na minha opinião é que, no inverno, se calhar, acabam por ser estabelecimentos a mais e corre-se o risco de, às tantas, haver mais estabelecimentos do que clientes, mas no verão, como isto mexe com muitas pessoas de fora e muito turismo, acaba por movimentar todas as casas.

E há espectativa também de que se consiga ter aqui mais gente no inverno? Poderá passar também por esse aspeto positivo, ou no inverno é sempre mais difícil?
Talvez, mas no inverno é sempre mais complicado, não há excursões e as poucas que aparecem são as excursões organizadas pelas câmaras e as juntas de freguesia e as pessoas, por vezes, trazem merenda e depois acabam por beber só um café e pouco mais.

Já alguma vez pensou sair deste espaço?
Tenho alturas em que me sinto um bocado cansado, porque isto é uma posição de portas abertas e já tenho pensado algumas vezes em largar isto e ir para outro emprego qualquer, mas depois também penso que a pessoa quando está num sítio e pelo menos está a conseguir manter as coisas – e hoje em dia está tudo tão complicado …penso mesmo que o melhor é ficar aqui.

O que é que vos define e o que é que vos destaca dos outros estabelecimentos do género?
Na minha opinião, é a bifana na caralhota, e acaba por ser também a sopa da pedra, mas as pessoas conhecem mais a minha casa é pelas bifanas.

São as melhores bifanas da região?
Algumas pessoas dizem que sim, para mim, como diz o outro, é raro comer.

O que é que podemos encontrar aqui, na casa das caralhotas? Durante o dia é a tal bifana, mas o que é que há mais?
Temos a bifana, fazemos sempre um prato do dia e também temos a famosa picanha, que é de 15 em 15 dias, e nesse dia é casa cheia; também fazemos aqui alguns bifes com molho mostarda, molho de vinho tinto, sete pimentas, molho de cerveja. No verão, temos também o petisco que é à base de marisco, salada de polvo, salada de ovas, pica-pau; agora no inverno é tudo mais à base de molhos, moelas, as nossas famosas tostas de frango, que também é uma das coisas de que as pessoas muito falam: há pessoas que até vêm de longe para comê-las. E tudo isso é mais ou menos o que fazemos aqui.

Alguns conceitos modernos mas outros também, como já falou, mais antigos e mantendo as tradições.
Exato, para manter as várias gerações porque há aquelas pessoas mais antigas que não comem estas coisas de hoje, e se nós tivermos uns molhinhos, umas tripas, umas coisas assim, trazem aqui as pessoas mais velhas; temos de tudo um pouco para todas as gerações.

Quais são os horários de funcionamento da casa?
No verão, das oito às duas da manhã; no inverno, das oito à meia-noite e encerramos à terça-feira.

Contactos:
Estrada de Coruche Lt 99 R/CH
Telefone: 243 595 772
facebook.com/pg/Casa-das-Caralhotas

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