Centenário de La Lys por Eurico Henriques

Para Almeirim, com Amor.

O presente trabalho pretende apresentar as questões relacionadas com a participação de jovens do concelho de Almeirim no conflito alargado que foi a 1.ª Guerra Mundial.

Este conflito, que se desenvolveu nos primórdios do século XX, 1914 a 1918, entre as principais Potencias europeias, veio consolidar a emergência de uma nova potência mundial, os Estados Unidos da América. O facto que esteve na sua origem não justificaria um conflito tão longo e destruidor. O que se pode considerar como causas mais próximas e objetivas, será a rivalidade entre as potências europeias no que se relacionava com a ocupação de territórios no continente africano e no método da sua partilha. A eles ligam-se os interesses comerciais e de dominação política em áreas regionais do centro europeu.

A presença de Portugal encontra uma justificação na necessidade de garantir a posse de importantes territórios coloniais, Angola e Moçambique e, não menos válida, na afirmação da República recentemente introduzida.

Os governos da 1.ª República empenharam-se em conseguir a participação do país no conflito, o que se verifica após a captura dos navios alemães e austríacos que se encontravam ancorados no Tejo, onde tinham procurado refúgio no início do conflito. Perante uma solicitação inglesa a marinha nacional fez a ocupação dos mesmos, a 17 de fevereiro de 1916 Este facto levou à declaração de guerra a Portugal, feita pela Alemanha em 9 de março. Esta abertura de hostilidades veio oficializar o que já acontecia: importantes conflitos militares no norte de Moçambique e sul de Angola.

A mobilização militar para África teve o seu início em 1914. Após a instalação dos destacamentos militares seguiram-se os confrontos armados com as forças alemãs, estacionadas nas colónias vizinhas. Esta abertura de hostilidades veio oficializar o que já acontecia: importantes conflitos militares no norte de Moçambique e sul de Angola.

Não deixa de ser curiosa a posição portuguesa perante os combates nestas duas colónias africanas. O governo, tendo recebido em tempo a notícia dos confrontos, procurou não hostilizar a Alemanha, ficando a aguardar por uma altura mais favorável.

Neste período cerca de 108 almeirinense foram recrutados para os vários teatros de guerra. No total morreram 6. Neste trabalho de estudo e pesquisa partimos em busca dos que, recrutados, fizeram as campanhas africanas e do CEP.

São várias as perguntas que se podem pôr: como se fez o recrutamento e quem foi recrutado. Como se vivia na vila de Almeirim e concelho no tempo do decurso da guerra. Qual a reação das autoridades locais e respetiva população ao conflito.

Do outro lado, dos soldados integrados nas forças militares, o que procuramos privilegiar, como viam a sua participação na guerra. Os escritos e narrativas que nos deixaram que verdades nos revelam. Como foi o seu quotidiano, das planuras e florestas quentes de África ao frio e ao fogo das trincheiras europeias.

 

Eurico Henriques.