Da esquerda para a direita: Futuro II

Ao contrário do que tem sido a prática, até ao momento, dos grandes empreendedores sedentos de lucros e que nos levam a acreditar que no mundo do trabalho todos podemos ser o “Cristiano Ronaldo” se formos empreendedores, a sociedade contemporânea só é sustentável com pleno emprego e com uma segurança social pujante que defenda os trabalhadores na doença, na velhice ou na orfandade.

A questão que se coloca então, é como transformar a revolução tecnológica numa revolução industrial favorável à sociedade e aos trabalhadores em geral e não apenas aos interesses do capital e dos seus peões de brega. Não tenho dúvidas que o caminho terá que ser a redução do horário de trabalho e o de uma mudança de paradigma, de forma a que a revolução tecnológica sirva para reduzir a penosidade do trabalho, para tornar o mundo mais sustentável e para que os lucros crescentes se possam também traduzir numa melhoria de condições de vida para os trabalhadores e na redução das desigualdades. Alguns dirão que o emprego tecnológico irá criar novos postos de trabalho. É verdade, mas qual é o rácio de Eng. Informáticos necessários para compensar os postos de trabalho extintos numa fábrica? Poderemos ser todos Engenheiros? Não me parece.

O objetivo deste texto foi essencialmente de, também em Almeirim, os trabalhadores equacionarem qual o futuro que queremos para o trabalho e consequentemente para os nossos filhos e netos. Por fim, fica a pergunta: se existir um exército de desempregados, a quem é que as grandes empresas vão vender os seus produtos? Entraremos novamente numa crise à escala mundial? Quem pagará a crise? A tecnologia ou os trabalhadores?

 

Paulo Colaço – CDU Almeirim

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