Quem é Paulo Almeida?

SEM RESERVAS É um dos estilistas de cabelo mais conhecido de Almeirim e fala sobre o percurso profissional, as suas lutas e a ligação ao desporto.

Como se define? Quem é o Paulo Almeida?
O Paulo Almeida é uma pessoa divertida, alegre, extrovertida e amigo do amigo do mais que pode haver, quando o amigo for falso, pode morrer que não presta para nada.

Na opinião pública, aqui no concelho e não só, é tão conhecido pelos cortes de cabelo como pelo desporto, isto é bom sinal?
Sim, é excelente. No desporto sou dos treinadores mais antigos do concelho de Almeirim e a nível nacional se calhar também haverá poucos, depois há de várias modalidades: futebol, primeiro treinador de futsal; treinei também e ajudei como preparador físico, a nível de ciclismo também como preparador físico, karaté sempre foi a minha paixão desde 1974 e portanto será essa parte. Como cabeleireiro, já foi há muitos anos, em 1976, passei por uma primeira aprendizagem que era uma profissão que havia antigamente, que era ser aprendiz, um grande mestre de cabeleireiro chamado João Barbeiro (era a alcunha dele) em Olhão, em 1976, quando estava no Algarve, depois passei para a escola de São Paulo, estágios a nível italiano, em Espanha, grandes cabeleireiros que eu tive, “Eric Stripa”, “Vidal Sassami”, “Luis Homeraz” e outros colegas nacionais que eu tive em Lisboa: “Isabel Quesnaval”, nos anos também 70/80, portanto é um currículo vasto que é meu, não é muito importante para quem me conhece, tenho conhecimento de que não sou e noto aquilo que eu tenho os títulos são nossos e acho que devem ser preservados por nós. Muitas vezes as pessoas pensam que aquilo que nós temos é uma “chachada” ou será o “fala-barato” que é o mais conhecido também, cabeleireiro mas a outra parte do público não a conhece porque também não é muito importante, é meu porque quem gostar de mim gosta, quem não gostar temos pena.

Com quem é que aprendeu o ofício?
Como já disse há bocado, aprendi no Algarve, em Olhão, nos anos 76, que era uma profissão um bocado tirada para pessoas que, num género diferente do que é ser homem, portanto, não ofendendo ninguém, mas foi uma profissão que eu vi de futuro porque não havia cabeleireiros homens no distrito de Santarém e havia poucos também no país. Em alguns, havia o Arnaldo, em Santarém, havia também outro senhor em Santarém. Cabeleireiras senhoras em Lisboa, havia “Os Vitorinos”, havia dois ou três excelentes e era uma profissão que eu gostei à primeira, fiquei, avancei, era um bocado, vamos lá, feminado. A profissão, tanto se trata de um homem como de uma senhora, é igual, mas há 42 anos atrás não era assim, as profissões que havia na altura eram o bate-chapas, pintores, eletricistas, mecânicos, portanto foi assim. Depois daí passei para a escola de São Paulo, o que era responsável pela escola de São Paulo, eram os festivais da Figueira da Foz, os festivais que havia, nacionais e internacionais, como nessa altura tinham uma dinâmica totalmente diferente da de agora, havia um apoio completamente diferente a nível de formação e tudo, que hoje não é igual, infelizmente o que se aprende nos centros de formações não chega, é muito curto, há que ressalvar isto e tem que se voltar aos três anos de profissão e serem escolas de cabeleireiro, as associações de cabeleireiro, as associações de classe a dar informação e não os centros de formação, porque estão limitados a muitas coisas.

Quem é que lhe corta o cabelo a si?
Umas vezes a minha esposa, outras vezes a minha colega.

Nunca cortou mal o cabelo a ninguém?
Nunca.

E à sua mulher, quem é que corta?
Corto eu, e ela às vezes também corta quando eu não tenho tempo. Posso ressalvar, porque eu nunca cortei mal o cabelo a ninguém, posso cortar o cabelo às pessoas a partir daquilo que elas querem, têm tempo para estar na cadeira um quarto de hora/20 minutos, qual é a cor, qual é o corte, através de revistas, fotografias que possam trazer, pode é não ficar ao gosto da pessoa mas o gosto da pessoa é próprio, não é ficar mal cortado, nunca cortei mal o cabelo a ninguém, eu tenho a mania do perfecionismo, tanto no desporto como no cabeleireiro, temos de ser os melhores dos melhores, no desporto e no cabeleireiro e se não formos os melhores dos melhores os nossos alunos e os nossos clientes também não se sentem à vontade, posso não ser o melhor mas tento ser o melhor dos melhores e os alunos têm de ser os melhores dos melhores na escola, no trabalho, o respeito em casa dos pais, o respeito pelos professores, o respeito na sociedade, é isso. Podem não gostar do meu método, pode ser arcaico, pode ser antigo mas é o melhor, foi aquilo que eu aprendi, é aquilo que tem de ter respeito que não há hoje na sociedade, não existe hoje em lado nenhum. O bullying, as brigas que existem é porque não existe autoridade e autoridade tem que existir, quer seja para eu respeitar a autoridade, quer seja eu a pôr autoridade e muitas vezes dizem que eu sou autoritário, não, não sou, sou uma pessoa que ajudo o próximo e dou a minha roupa ao outro, agora tem que ter respeito e autoridade, por causa disso é que se vê o que se vê na sociedade que temos.

Trabalha com a sua esposa. Separam bem a vida familiar da profissional?
100%. O nosso cabeleireiro, nossa casa mas assim que saímos da porta do cabeleireiro para casa, acabou, há amor, carinho, sexo, há tudo. No trabalho fala-se de trabalho, ali não há trabalho, a única coisa que se pode falar de trabalho é quando uma cliente vai pedir uma cor e que é uma cor muito complicada que ela quer, nós levamos e vamos estudá-la, vamos ver, para poder apresentar o melhor trabalho à cliente e ela vai lá fazer um pré-trabalho para se ver o que ela quer, e aí vamos discutir, vamos discutir não, falar, ver qual é a opinião, qual os graus de coloração, quais as pigmentações que nós vamos utilizar.

 

À Lupa

Data de Nascimento: 25/09/1959
Filhos: 2 filhas
Estado civil: Casado
Clube do Coração: S.L. Benfica
Hobbies: Cinema, ler, conviver, desporto, beber e comer.
Música: Custódio Castelo