Estreou-se com sucesso no cultivo da abóbora aos 71 anos

Romano Ferreira é considerado por outros agricultores como o nº 1 das searas de batata. Tem 71 anos e 25 hectares de terra, mas não se vê muitas horas sem estar no campo a tratar das suas colheitas.

Romano e a esposa estiveram à conversa com o Almeirinense, explicando que há sempre “uma erva para arrancar, um jeito para dar…” e assim vai vigiando o tempo de cultivo das suas searas, que tão bons frutos tem colhido. Em 2017 aventurou-se no cultivo de abóbora e acertou na “fórmula”.

Há quantos anos é produtor, e o que produz?
Sou produtor desde 1977. Quer dizer, já fazia uns bocadinhos de vinha, mas estava empregado, mas comecei a sério em 1977. Antes de começar com as batatas e com as cenouras já fazia melancias e tinha vinha, uma sociedade que eu tinha com o meu padrinho mas depois tivemos que acabar com aquilo, e depois dediquei-me só a estas searas… adoro fazer cenouras, batatas, melancias e tomates.

Este ano foi a primeira vez que experimentaram a abóbora?
Exatamente. E correu bem, graças a Deus.

Deu quantas toneladas?
Cinquenta e oito.

Porque pensou produzir abóbora?
Por causa de uma rapariga ali das Fazendas de Almeirim, a Emília, começou-me a “chatear” para eu fazer abóboras e eu até lhe disse: “Nunca fiz isso e depois fico mal na fotografia”, e ela respondeu que não ficava mal na fotografia. Mas pronto, é pena é às vezes as coisas não serem pagas pelo justo valor.

Para onde é que costuma escoar as suas produções?
Tenho uma pessoa nos Marinhais que há muitos anos me fica com as cenouras, nunca mais quis outra. As batatas vão para Salvaterra, são pessoas impecáveis e com quem já trabalho há muitos anos. As melancias fiquei a fazer para superfícies; agora faço, e normalmente quem me tira é ali o Carlos Sereno.

Porque é que decidiu fazer da sua vida agricultura?
Eu fui empregado num armazém de vinhos, há muitos anos, onde fui encarregado. Mas pronto, a gente depois também se satura.

Quis mudar?
Sim, quis mudar. Eu, em 1976, já fiz esta casa minha, com notas minhas na mão.

Tem corrido bem?
Já fiz uma casa a cada filha, comprei as terras, o trator… Temos de pensar positivo, temos de pensar assim: “vou fazer isto e vai correr bem.” Tenho um recorde de batatas por hectare — 84 toneladas! Tenho um recorde disso… e 110 toneladas de cenouras, e de melancias 149. Tudo isto por hectare já com descontos.

Quantos quilos têm em média as melancias?
Tenho lá melancias de 20,5kg.

Então e onde é que aprendeu a fazer esse cultivo tão bom?
À minha custa. Às vezes tenho lá uma ajuda. No princípio tive umas dicas, por exemplo, nas cenouras tive de uma pessoa amiga que já faleceu, que era uma pessoa de Marinhais. Pronto, mas a gente depois vai fazendo experiências, vamos tratando umas de uma maneira, outras de outra.

E trabalha quantos dias por semana e de que horas a que horas?
Isso, horas, não tem horas… 12 horas, 16 horas. Raramente me sinto cansado, raramente. Antigamente, ganhava-se mais dinheiro do que o que se ganha hoje. No tempo dos escudos, cheguei a vender cenouras a 60 escudos 1 kg. Cheguei a vender couves e cenouras, facilmente se vendia cenouras a 60 escudos. Hoje, para se vender cenouras a 30 cêntimos é muito complicado. Quando chega aos 15, se não for a gente a apostar na qualidade e nos quilos, está a ver? Não há retorno…

Então, neste momento já está a preparar as campanhas, não é?
Estou. Tem que se ir fazendo umas batatas à mesma, umas melancias, umas abóboras.

A abóbora é um sucesso, é para continuar?
Sim, vou apostar nesta cultura.

Há quantos anos é que faz culturas? E não se cansa?
Há 40 anos que cultivo… Não, gosto mesmo daquilo que faço.

Gosta à mesma de se levantar cedo e ir para o campo?
É assim, eu quando não tenho nada para fazer também não me levanto cedo. Quando tenho obrigações, não tenho sono. Quando se está distraído, ou porque está a chover, já me tenho levantado e se está a chover volto para trás e vou-me deitar outra vez. Ou trabalha-se ou não se trabalha, não devemos enganar as outras pessoas que andamos a trabalhar.