As corridas de burros e carnaval dos anos 60

Firmino Botas Constantino é um dos pioneiros do Carnaval em Almeirim. O folião dos anos 60 relembra algumas das histórias da altura.

Foi nos anos 60 que com Firmino Constantino, Fernando Dias, Fernando Ambrósio e Horácio se iniciou o Carnaval em Almeirim. Eram feitas as corridas de burros e muitas outras atividades, como corria sempre bem pensaram então fazer um concurso de ruas e foi a partir daí que se passou a fazer, todos os anos, o concurso de ruas.

A mãe de Firmino Constantino fazia sempre uns velhozes, e eles, com a malandrice arranjavam rolos de guita, lavavam e metiam-na dentro dos velhozes, como estavam todos misturados cada um pegava num e a guita começava a esticar: “Aquilo era uma risota, tinha de se fazer sempre uma malandrice dessas” – diz Firmino Constanino.

No primeiro ano o grupo de Firmino fez uma caravela com o Camões onde lhes foi atribuído o segundo prémio, no segundo ano fez os “Cavalos de Ben-Hur” e os outros participantes fizeram a “Deusa da Sabedoria” onde, no carro, traziam enfeitadas as raparigas mais bonitas, e também flores de papel. Era atribuído o primeiro lugar a quem somasse os 40 pontos primeiro. Firmino conseguiu o primeiro lugar, mas só ao fim de 5 anos.

Firmino relembra que nos anos 60 se demoravam vários meses e muitas noites perdidas a fazer os carros alegóricos. “Os filhos da Cleópatra” e a “Torre de Belém” foram os que demoraram mais tempo a completar. O primeiro prémio na altura eram 500 escudos e no último ano quando venceu não lhe queriam entregar o prémio nem fazer o Carnaval do anos seguinte. “A organização tinha de o fazer porque eu queria receber o prémio ou então o dinheiro ia para a “sopa dos pobres” que entregava como donativo.

Havia sempre uma coletividade a quem era atribuido um valor ou uma parte do valor como donativo. Na organização ficavam também alguns fundos dos anos anteriores, para que no ano seguinte se pudesse continuar o certame e eram pedida ajuda às casas comerciais. “O Carnaval não era pago, inscreviam-se e pedia-se para dar algo”, explica. Quando começou a ser “fechado” começou então a ser pago.

“Isto chegou a um ponto que tem de se ir a mais e já não há dinheiro suficiente para mais e as coisas terminam por isso”. Depois desta história que o Carnaval teve, Firmino diz que o Carnaval em Almeirim devia de voltar.

 

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